31.3.09

Plátanos, nunca mais!

Com a chegada da Primavera, a flor do plátano sufoca-nos, polvilha os lugares mais recônditos e nem a chuva lhe acalma a perfídia. No entanto, se os plátanos incomodam, o que dizer de todos aqueles que grosseiramente corrompem, mentem e manipulam a opinião, fazendo-se de anjinhos?
Estamos a chegar a um ponto em que só poderemos respirar se eliminarmos os plátanos pela raiz. Os plátanos da incompetência, da irresponsabilidade e da cumplicidade…

26.3.09

Se ignorarmos o contexto…

- “Querem ser tão boas e não prestam para nada!

Será legítimo provocar o interlocutor, omitindo o contexto? Em termos éticos, parece-me condenável…

E em termos poéticos? A questão da legitimidade perde importância porque a elisão (omissão) é reivindicada como recurso expressivo privilegiado. Ao leitor competirá preencher o vazio, recriar o contexto, passando do particular ao universal.

Deste modo, o enunciado descontextualizado “Querem ser tão boas e não prestam para nada!” ganha, em termos poéticos, universalidade, exigindo a participação do leitor que pode, num ápice, deitá-lo para o “lixo” ou, pelo contrário, descobrir nele uma centelha de pessimismo…

No entanto, se eu voltar ao mote e o contextualizar – coisa rara no domínio da poesia! –, caio num espaço confinado em que uma pobre velha, desesperada, insulta um pequeno número de funcionárias que a impedem de saltar de uma cadeira de rodas para uma simples poltrona…

Naquele contexto,  a cadeira de rodas e a poltrona protagonizaram o drama das 16 horas cujo desfecho foi bem menos poético do que o leitor poderá imaginar: uma velha agrilhoada, gritando: - “Querem ser tão boas e não prestam para nada!

Afinal, a velha mais não queria que bater com a cabeça na parede, no chão, em qualquer outro lugar que não aquele… ou, talvez, não quisesse sair daquele espaço e quisesse, apenas, sair de si-própria…

(…)

A teimosia da velha lembra-me que, ontem, também eu pensei que o melhor seria dar uma cabeçada marialva no Ferreira de Castro para ver se liberta, de vez, dos vermes revivalistas que lhe roem os ossos na romântica Sintra e regressa definitivamente à Amazónia.

(Em Portugal, há umas capelinhas vazias, cujos pastores insistem em matar os fiéis!)

25.3.09

No Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira

Espólios literários

- Alexandre Babo (1916-2007)
- Alexandre Cabral (1917-1996)
- Álvaro Feijó (1917-1941)
- Alves Redol (1911-1969)
- Antunes da Silva (1921-1997)
- Armindo Rodrigues (1904-1993)
- Arquimedes da Silva Santos (1921)
- Carlos Coutinho (1943)
- Garcez da Silva (1915-2006)
- Faure da Rosa (1912-1985)
- Joaquim Lagoeiro (1918)
- Joaquim Namorado (1914-1986)
- José Ferreira Monte (1922-1985)
- Jorge Reis (1926-2005)
- Júlio Graça (1923-2006)
- Leão Penedo (1916-1976)
- Manuel Campos Lima (1916-1956)
- Manuel da Fonseca (1911-1993)
- Mário Braga (1921)
- Mário Sacramento (1920-1969)
- Orlando da Costa (1929-2006)
- Soeiro Pereira Gomes (1909-1949)

Espólios editoriais

- revista Vértice
- jornal O Diabo
- jornal Horizonte
- editora Cosmos

21.3.09

Dizem versos, os poetas

Dizem versos, os poetas / dois anónimos pássaros / saltitam entre flores / para além da superfície vítrea. // A abóbada do planetário ondula / suave em verde-amarelo redemoinho / num pequeno quadrado líquido. // As palavras dum tempo, perdidas / atentas às inconveniências, correm/nostálgicas, elegíacas, jocosas. // Perdem-se, os poetas / há muito deixei de ouvir o Patraquim /ousou anoitecer o Mia Couto / o Echevarria secou-me o pomar / a Maria Teresa Horta passou, altiva// O sol cai sobre o planetário / por detrás dos arames, o verde abafa o amarelo / longe, eleva-se uma grua / perto, os corpos abrem em sorriso/
sobre um tapete vermelho, as mãos /acenam aos poetas inefáveis.//

17.3.09

Um amor de Perdição, um filme de Mário Barroso

Ao contrário do que refere a sinopse não se trata da história de um encontro entre Simão e Teresa, mas, sim, de um desencontro entre Simão e Teresa, provocado pelo conflito entre duas famílias urbanas, com raízes provincianas e colonialistas…

Para quem não leu a obra de Camilo Castelo Branco, o filme passa bem, apesar de alguns jovens espectadores (da idade do Simão?) referirem o seu dramatismo. De facto, os jovens que assistiram à apresentação do  filme na sala 4 do Monumental estiveram atentos e divertiram-se, o que não é muito habitual. Por isso, creio que o filme irá ter uma boa recepção do público…

Quantos aos apreciadores de Camilo, a abordagem será diferente. O texto camiliano mais parece de Eça, quando se insiste na relação incestuosa de Dona Rita com Manuel (mãe e filho), sob o olhar indiferente de Domingos Botelho( marido e pai). À luz desta tema – o incesto -, não estranharei nada se Mário Barroso vier a adaptar ao cinema A Tragédia da Rua das Flores de Eça…

Por outro lado, os camilianos não deixarão de questionar o desfecho trágico do filme: abrir as veias e abrir o gás, em espaços distantes, não parece uma solução muito adequada à catástrofe de Um Amor de Perdição. Simão e Mariana, bem poderiam sucumbir lentamente, vítimas de SIDA. E para isso, não seria necessário que Simão traísse o amor de Teresa, bastava que o sangue derramado por Simão e de que Mariana se apropriou na delírio e na cegueira deste a penetrasse, deixando-a para sempre refém da sua secreta paixão…

Trata-se de um filme polémico, com uma óptima fotografia, um desempenho dos actores equilibrado, e uma montagem que, em certos momentos, consegue transmitir a densidade das situações camilianas, apesar do desfecho parecer pouco verosímil e, sobretudo, perder para o desenlace de Amor de Perdição.

Manuel C. Gomes

15.3.09

Há sempre quem nos envergonhe...



Num lugar, onde "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce", não deveria haver lugar para mensagens infames.
Alguém se deu ao trabalho de subir a escarpa, mesmo ao lado de Ribeira de Ilhas, para deixar uma nota de mau gosto.

Tetrápodes nas arribas da Ericeira...

De quem é a ideia? Espero que estejam a construir um molhe ou paredão. Caso contrário, estaremos perante um abuso.
De qualquer modo, fica o termo "tetrápode".