31.7.18

Não é preciso estar só...

Traversare una strada per scappare di casa
lo fa solo un ragazzo, ma quest’uomo che gira
tutto il giorno le strade, non è più un ragazzo
e non scappa di casa.

Ci sono d’estate
pomeriggi che fino le piazze son vuote, distese
sotto il sole che sta per calare, e quest’uomo, che giunge
per un viale d’inutili piante, si ferma.
Val la pena esser solo, per essere sempre più solo?
Solamente girarle, le piazze e le strade
sono vuote. Bisogna fermare una donna
e parlarle e deciderla a vivere insieme.
Altrimenti, uno parla da solo. È per questo che a volte
c’è lo sbronzo notturno che attacca discorsi
e racconta i progetti di tutta la vita.

Non è certo attendendo nella piazza deserta
che s’incontra qualcuno, ma chi gira le strade
si sofferma ogni tanto. Se fossero in due,
anche andando per strada, la casa sarebbe
dove c’è quella donna e varrebbe la pena.
Nella notte la piazza ritorna deserta
e quest’uomo, che passa, non vede le case
tra le inutili luci, non leva più gli occhi:
sente solo il selciato, che han fatto altri uomini
dalle mani indurite, come sono le sue.
Non è giusto restare sulla piazza deserta.
Ci sarà certamente quella donna per strada
che, pregata, vorrebbe dar mano alla casa.

Lavorare stanca - Cesare Pavese

****

Atravesar una calle para escapar de casa
puede hacerlo un muchacho, pero este hombre
que anda
todo el día por las calles ya no es un muchacho
y no escapa de casa.

Hay tardes de verano
en que hasta las plazas se vacían, tendidas
bajo el sol declinante, y este hombre que llega
a una alameda de inútiles hierbas, se detiene.
¿Vale la pena estar solo, para estar siempre más
solo?
Trabalhar cansa

Não é preciso estar só para sair de casa e encontrar-se nas ruas desertas ou movimentadas, basta folhear uma página amarelecida pelo tempo e perguntar-lhe quem são estas criaturas tão silenciosas, ali esquecidas.
Desta vez, por um instante dessa solidão sobressai Cesare Pavese (1908-1950), cuja voz só o silêncio poderá consagrar, mas para isso é necessária a disponibilidade por ora perdida… esperemos que não para sempre!

30.7.18

A explicar o que não é...

Só amanhã é que a tarefa fica concluída, embora o resultado já tenha sido enviado por e-mail (novidade desta fase), que é necessário quebrar a rotina… tudo para agilizar o procedimento ou haverá um objetivo oculto?
Desta vez não vou comentar os resultados, pois eles nada acrescentam à ambição humana - há tantos caminhos mais lucrativos e menos cansativos! 
Os bons exemplos não faltam! E quanto ao argumento, o mais indicado é negar o que é, e explicar o que não é...
Depois de amanhã, acaba o mês de julho, embora eu não entenda porquê - capricho de imperador romano já esquecido. Por mim, aproveito a tendência e vou assobiar para outro lado, tal como o Ricardo Reis, que, dizem-me, 'não gostava de futebol', por causa da sua natureza "eufemera"...

29.7.18

Uma hora no Parque das Nações

Borboleta-Zebra 
A Iphiclides feisthamelii gosta do Parque das Nações. Foi lá que a encontrei esta manhã. Eu não desgosto do lugar, embora viva mais a norte…
Frequentemente procuro o Tejo, hoje mais distante pois a água retira-se por umas horas, deixando à vista uma fina camada de lodo sem grandes sinais de poluição… só as gaivotas pulavam na linha de água…
Entretanto, não muito longe, sentei-me numa esplanada a ler o Diário de Notícias, agora semanário, cujo formato me incomoda tal como a arrumação dos artigos, no geral medíocres… Há por ali articulistas pretensiosas e de duvidosa cultura. Alguns claramente zebrados... o que me traz à memória os barões do século dezanove. Pobre Garrett!

28.7.18

O robalo sabe nadar

Logo pela manhã procurei um peixe para grelhar e encontrei. Disseram-me que vinha do mar, o pargozinho… Colocado na balança, pesava pouco mais de um kilo. Preço com um descontozinho, já que as férias se avizinham: 33 euros.
Acabei por comprar uns carapauzinhos da Caparica, porque, na verdade, há funcionários públicos que nunca aprenderam a nadar… nem a pescar!

27.7.18

A inocência perdida

Perdidit antiqum litera prima sonum…

(Ele arruinou a pronúncia antiga… das primeiras palavras, isto é, perdeu a inocência.)

Todos os dias, recebo a notícia de alguém que se deixou seduzir pelo dinheiro. Parece uma inevitabilidade. As vítimas são, quase sempre, deslocados, idosos, analfabetos e até alguns apressados nada inocentes…
A verdade é que se enriquece em muito pouco tempo, mas não com o salário, por exemplo, de funcionário público...

26.7.18

As larvas

As larvas alimentam-se de matéria vegetal, o que, em muitos casos, dá cabo das flores, das folhas… Por estes dias, preferia que elas trocassem as sardinheiras pelos dirigentes deste país, políticos ou não, sem esquecer os carpinteiros, os vidraceiros…
Seguramente, as larvas estão no seu direito e prestam preciosos serviços… e bem podiam alargar o seu raio de ação… Eu ficaria feliz!

Desejando que as larvas tenham ouvido a minha sugestão, reporto aqui uma conversa magistral das minhas vizinhas de bairro: 
- Os resultados dos exames são uma miséria!
- Não admira! Entregam as provas para classificar aos «contratados», e bem sabemos que eles se estão na tintas…
- Eles querem lá saber!
- Não têm qualquer formação… a culpa é da "geringonça"...
- Que saudades do Nuno Crato!

25.7.18

É sempre a descer!

As aulas tradicionais já não me interessam. São secantes para mim também. Adaptar-me-ei aos novos contextos, comprarei rodinhas para as secretárias, ouvir-se-á música nas aulas, leremos Camões e Pessoa em voz alta sem noções de versificação à mistura, cantaremos Os Lusíadas em rap e a Mensagem em fado, faremos apresentações com guitarra, máscaras de teatro e fantoches, percorreremos Lisboa aos fins de semana sem a burocracia assustadora das visitas de estudo e descobriremos Saramago devagarinho, muito devagarinho, ao som do Tejo, estendido lá em baixo, ao Sol, na linha do horizonte. Treinadores de Portugal
Sou professor há 44 anos. Tenho aqui ao lado 25 provas de exame para classificar, mas perante o pronunciamento da «formadora profissional na área comportamental», Carmo Machado, vão ter que esperar…
Diz ela que o mundo mudou, que os professores estão cansados e desmotivados, que as aulas tradicionais são secantes, que não aprendeu nada na escola de que se lembre agora (Handy, 1992), pois eu lembro-me do poeta que "prefere rosas à pátria" porque os outros homens, por muito que se esforcem por satisfazer a vaidade pessoal e coletiva, nada acrescentam à Natureza, ao Universo… mas os alunos não compreendem por que motivo o Poeta é secante, os professores anacrónicos, a leitura não é negociada, os seus interesses não são ativados…
Assim sendo, não me vou esquecer de comprar rodinhas para a minha cadeira e promover uma corrida do Camões (Praça José Fontana) até ao Pessoa (Martinho da Arcada). Pelo caminho ainda posso passar pela Loja do Senhor Verde e visitar a Oliveira do Senhor Saramago… É sempre a descer!