3.4.25

O Cemitério do Elefante Branco

Para quem gosta de compreender a contemporaneidade, designadamente de raíz lusófona, é imprescindível ler o conjunto de estudos sobre 'retornados e ficções do império português' da autoria de João Pedro George.
Trata-se de uma obra bem documentada sobre o modo como o 'êxodo' africano foi acolhido e percepcionado no Portugal 'europeu'.
A atenção dada às publicações, que sobre a matéria foram sendo publicadas no pós-25 de abril, é exaustiva e evidencia a natureza do trabalho editorial desenvolvido. Primeiramente, de contestação do processo de descolonização e dos seus intérpretes, e depois de 'apagamento'  das vítimas do colonialismo... No essencial, explica a visão que, hoje, continuamos a ter do Outro... seja refugiado, imigrante...
Pessoalmente, esta leitura obrigou-me a questionar a posição de alguns escritores 'engajados' que costumava considerar como 'esclarecidos'... e, por outro lado, confirmou-me que a os 'best-sellers', gerados no seio dos órgãos de comunicação social mais não são do que formas de ganhar dinheiro à custa da nostalgia... e do branqueamento da realidade... 
Tudo a branco, mesmo que se seja negro!

31.3.25

Com pés de betão...

 

Com pés de betão nem o vento nos arranca do chão... e nós gostamos de quem carrega na transparência..., mesmo que isso signifique enfiar-nos a carapuça...

A tradição consagrou o princípio de que, conquistado o poder, tudo devemos fazer para que o preservemos, isto é, estejamos de pedra e cal...

Há, no entanto, quem à pedra prefira o betão. E à cal, os meios de comunicação, formais ou informais...

29.3.25

A chuva de Março

 

Dizem-me que choveu muito em Março. Desconfiado, resolvi visitar as Portas do Sol, em Santarém.
Chegado, fui surpreendido por um caudal amarrado às margens e que em nada pode ser comparado às cheias de outrora. 
Sempre tinha motivo para desconfiar: a comunicação social abusa da falta de memória do cidadão... Repete à exaustão pequenos detalhes com o objetivo de nos estupidificar...
E o que é válido para a chuva também se aplica à política!
Quanto à cidade de Santarém dá pena. O casco da cidade está cada vez mais degradado. Basta observar o estado do Teatro Rosa Damasceno... e quanto aos novos habitantes, o melhor é calar. 

23.3.25

Dizem-me...

Dizem-me que a Primavera já chegou. Certamente, temerosa. Quanto a isso, nada devo acrescentar a não ser que o Martinho terá vindo fora de estação, pois para novembro ainda falta um tanto... 
Dizem-me que nos Estados Unidos da América chegou um déspota, de seu nome Trump. Apressado, procura açambarcar terras e minérios, eliminar o que resta da Liberdade... provavelmente nem as estátuas se salvarão...
Dizem-me que o tirano Putin quer a paz oferecida pelo amigo Trump, ignorando a vontade da Ucrânia... Isso, no entanto, é uma fantasia dos estrategas e dos comentadores. Putin alimenta-se da guerra, tal como Netanyahu... Sem ela, seriam banidos...
Dizem-me que o Montenegro se candidata nas eleições legislativas de maio, não me espanta, porque, afinal, ele tem sucesso nos negócios... Parece que o sonho de uns tantos é serem montenegros.

17.3.25

Restos

 

Já não me apetece comentar. Apenas, observo, procurando não ajuizar sobre o estado das coisas e dos seres.
No essencial, procuro preservar-me das tensões, dos abusos, da incompreensão...
Arrumo palavras em diários sem futuro, porque a sua leitura só traria contrariedades... 
E leio Balzac, porque este autor já não engana ninguém e faz nos habitar um planeta que se pensava já perdido...

11.3.25

A queda de Montenegro

Não vou fazer considerações  sobre a queda do Governo pela simples razão de que era inevitável.
O desespero da classe política é enorme... a esta hora há imensa gente à procura de emprego...

De positivo, apenas a esperança de que a próxima Assembleia República possa ser constituída por pessoas que sejam educadas e honestas… 
Pedir mais é absurdo num tempo em que um governo vai ao ponto de servir os interesses familiares de um primeiro-ministro e não do país, como lhe competia.

6.3.25

A trama já é antiga...

Seja em nome da Monarquia ou da República, dos Reis ou dos Azuis como ensina detalhadamente Balzac na sua obra, o que está em causa é a conquista do território, das matérias-primas e até das 'graças' mais ou menos espirituais...
De Putin a Trump, o que está em causa é a hegemonia, mesmo que tal signifique o sacrifício dos sequazes que neles votam... o resto não lhes interessa de todo.
Por cá, parece que o povo vai regressar às urnas para confirmar o carácter de quem nos governa e nos quer governar. 
E claro, a falta de carácter não é propriedade dos governantes. Há muito que os governados têm vindo a ser preparados para tudo branquear... 
Depois do Monte Branco, agora temos o Monte Negro... e nós continuamos a votar nos de sempre, cada vez mais raposos.