30.6.18

Anja Flach em Portugal

Em Coimbra, 30.06.2018
Ontem, na sede do MAS, em Lisboa, Anja Flach procurou convencer o auditório (pequeno) de que a resistência curda é, no essencial, um movimento de libertação comunitário, em que os membros, em grande parte mulheres oprimidas, tentam construir uma alternativa à sociedade patriarcal, capitalista - predadora...
As ferramentas de que dispõem são escassas, mas, se preservado o território comunitário*, parece possível combater, através do trabalho manual e da educação, a resignação milenar, devolvendo alguma da felicidade há muito perdida… 
A utopia curda enraíza-se num tempo anterior ao império otomano e a todos os colonialismos de que foram e são vítimas, por isso tem poucos aliados, porque na verdade não existe um território curdo, mas, sim, ilhéus em que os valores se vão diferenciando de acordo com os contactos a que se veem obrigados… 
A utopia curda continua, no entanto, cercada por poderosos interesses que visam a apropriação e a partilha do Médio Oriente e que não olharão a meios para a esmagar, até para que não sirva de exemplo a outras comunidades esquecidas…
Em Portugal, o que se sabe sobre os povos curdos é infelizmente residual, até porque a diretriz curda não passa obrigatoriamente pela construção de um Estado, como, por exemplo, o turco… 
Nós, por aqui, amamos o Estado e estamos convencidos de que ele só pensa em nós…

* o que explica a luta armada em que as mulheres têm um papel importante, tal como aconteceu durante dois anos com Anja Flach...
Lisboa, MAS, 29.06.2018

29.6.18

Manuel C. Gomes shared 1 photo with you

Manuel C. Gomes: Por vezes, apetece seguir o exemplo do "voador" e não o do padre... 
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O rolo compressor

Nos últimos dias, o rolo compressor das perguntas e das respostas tudo tem feito para justificar o injustificável, para esmagar a nulidade do processo de aprendizagem.
Estou no ponto em que as evidências deixam de ser evidentes.
Há, porém, umas tantas que eu não vou conseguir esconder debaixo do alcatrão...

28.6.18

Em bicos dos pés

O presidente Marcelo não resistiu! E lá deu uma lição ao presidente dos Estados Unidos - imaginou-se Vasco da Gama perante o rei de Melinde! - dando-lhe conta da grandeza da obra portuguesa no seu máximo esplendor atual expresso no número de emigrantes e na grandeza do Cristiano Ronaldo…
Fê-lo com ironia para que os portugueses entendam a nossa superioridade inteletual, fazendo crer que o presidente Trump não entenderia a saloiice da conversa … e nós aplaudimos com a bênção de Putim…

27.6.18

Uma maçada!

São tantas as palavras!
Correm sonsas e desarticuladas… 
As palavras, bem queria que fossem ingénuas, inocentes, primitivas…
Nada disso: nem sequer matreiras, mentirosas, brejeiras...
As palavras surgem ocas, disparatadas… 
- expressão de uma idiotia coletiva nutrida de presunção e água-benta.

(Já me esquecia: a Prova de Literatura Portuguesa era de fácil resolução desde que o examinando compreendesse a língua de Garrett e de Agustina Bessa-Luís!)

26.6.18

No caso da greve dos professores, só falta o vídeo-árbitro!

“Tal como solicitado pelo Ministério da Educação, o Colégio Arbitral deliberou, por unanimidade, que os conselhos de turma relativos aos 9.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade devem realizar-se até à data limite de 05 de julho, a fim de emitirem a avaliação interna final."Serviços mínimos

Comentários para quê? A verdade é que, neste século, os professores têm sido os bombos da festa. Diga-se o que se disser: ser professor tornou-se uma profissão desgastante, desrespeitada, desautorizada e mal remunerada, sobretudo para todos aqueles que, nos últimos, foram impedidos de progredir na carreira… ao contrário do que é apregoado por comentadores encartados na defesa de interesses privados.

Nota: Em vez de vídeo-árbitro, o cardeal ameaça com a solicitação de aclaração da decisão.

25.6.18

O programa chama-lhe 'educação literária'

«A capacidade de o cidadão se situar no mundo depende, em parte, da sua relação com a obra literária. O programa chama-lhe "educação literária"...» 

Ao contrário do que escrevi no dia 19 de junho, o exame de Português do Ensino Secundário testa minimamente a relação do aluno do 12 º Ano com a obra literária. A minha baixa espectativa gorou-se…
Há, todavia, um problema: a educação literária parece não estar a ter sucesso, pois, pela evidência recolhida, poucos são aqueles que leem as obras e que, se o fazem, lhes entendem a mensagem…
É um pouco como se os deserdados se obstinassem em desistir!

24.6.18

Simplesmente, cretino

Cretino é o adjetivo que serve para designar um indivíduo que tem uma incapacidade mental; serve para designar quem não tem muita inteligência - o idiota; serve para designar uma pessoa manipuladora, capaz de prejudicar os outros, mesmo que sejam seus amigos, que infringe todos os padrões de dignidade…

Para memória futura

BdC: "Um conjunto de cretinos viciou resultados. Não quero fazer parte de uma elite mal cheirosa. Deixei de ser sócio e adepto do Sporting."

Apesar de tudo, BdC soube escolher o adjetivo. O problema está no objeto…
Em setembro, não me vou esquecer desta 'pérola' para treinar a técnica do retrato.

23.6.18

O desmaio

«O desmaio de Marcelo Rebelo de Sousa ocorreu às 12:48 durante uma visita ao Santuário.»

O Presidente da República desmaia e deixa de ser notícia. Afinal, o futuro do Bruno de Carvalho é bem mais importante…
Diz o Professor que se tratou de uma gastroenterite aguda. Será? E o médico do Presidente, o que é que não diz?

22.6.18

Pausa


Por momentos, saí da sala do risco, e fui à procura do sujeito e do complemento direto.
Só encontrei flores!
(Já estou de regresso…)

21.6.18

Na sala do risco

Até 4 de julho, encontram-me na sala do risco… que só pode ser vermelho. Ainda não especificaram o matiz… Lá chegaremos à graduação da cor.
Por favor, não me perguntem porquê.

19.6.18

Sobre o exame de Português de 2018

Devo relembrar, nesta data, ( e não é a atormentada 6ª feira de Madalena, no "Frei Luís de Sousa"!) o que escrevi neste blogue, sob o título O ÚLTIMO PROFETA, em 19.01.2018, 6 meses antes do exame:

«Se a imaginação e o mistério não estão connosco, não vale a pena escrever.» Maria Ondina Braga entrevistada por Mário Santos, Público, 9.12.1995

Foi certamente essa certeza que alimentou Fernando Pessoa ao escrever MENSAGEM!
Perante o desconchavo a que Portugal chegara, na ausência de feitos que pudesse imortalizar, Pessoa optou por imaginar um futuro que, de algum modo, fosse capaz de despertar os portugueses coevos da modorra em que jaziam.
Esqueceu a História e atirou-se ao Mito e, pelo caminho, assumiu o papel de último profeta do Quinto Império, procurando devolver a esperança e a vontade necessárias ao Sonho, sem o qual o Senhor acabaria por esquecer o povo eleito que unira o Mar, mas que não soubera preservar o Império... 
O último profeta (Screvo meu livro à beira-mágoa), mais do que a voz do Senhor, surge como seu interpelante, procurando, assim, que o último fôlego da Humanidade seja obra de Portugal - o verdadeiro herói de MENSAGEM. 

(Este pequena reflexão foi feita a pensar nos meus alunos que, inteligentemente, a não leram…)

Sobre a prova de exame de Português 2018, prefiro, desta vez, não tecer comentários, a não ser levantar uma pequeníssima questão:

Até parece que a relação de interlocução tem início no sétimo verso do poema… /Mas quando quererás voltar?/ Não teria sido mais inteligente ter solicitado quais são os termos dessa relação no poema e na Terceira Parte de MENSAGEM?
(…) /Tenho meus olhos quentes de água. / Só tu, Senhor, me dás viver. // te sentir  e te sentir pensar / Meus dias vácuos enche doura. /

Daqui a uma hora... Prova 639

Daqui a pouco, começa o exame nacional de Português - 12º Ano. A minha expectativa é baixa: elaborar uma prova, que não revele publicamente a mediocridade a que chegámos, é tarefa difícil.
Há, no entanto, um aspeto que espero ver consagrado nesta prova de exame: o contributo da disciplina para o fomento da consciência literária, importante vector da cidadania. 
A capacidade de o cidadão se situar no mundo depende, em parte, da sua relação com a obra literária. O programa chama-lhe "educação literária"...
Temo que a "educação literária", pelas perguntas que me foram colocadas nos últimos dias, acabe por não ser aferida. 
Por exemplo, foi me perguntado "se valia mesmo a pena ler as obras de leitura obrigatória dos últimos três anos" ou se "Carlos da Maia teria sido influenciado pelo Ano da Morte de Ricardo Reis"...

18.6.18

Os professores e as circunstâncias extraordinárias

No caso dos professores, os factos são claros. Primeiro facto: o Governo prometeu e agora vem dizer que não pode cumprir. Segundo facto: o prometido é devido, ou como diz o primeiro-ministro António Costa, palavra dada, palavra honrada”, afirmou. Para o líder parlamentar do PSD “só circunstâncias extraordinárias podem justificar que assim não seja”. (Fernando Negrão) Cinismo político

Cavaco de cínico: Para quê pedir mais sacrifícios aos professores?

Afinal, para o ano há eleições. Com o PSD vencedor e partido do Governo, o degelo será total: atualização salarial, progressão na carreira, redução do horário de trabalho, reforma antecipada sem penalização, diminuição do número de alunos por turma, formação de professores, modernização de equipamentos, nada irá faltar!
É só um pouco mais de paciência… a não ser que da toca voltem a saltar «as circunstâncias extraordinárias»…

(atualização)
O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, acredita que o país não está em condições para pagar aos professores todo o tempo de serviço congelado. Clarificação

Afinal, os professores não podem esperar pelo PSD!

17.6.18

O pensamento crítico ainda não chegou ao fim

O antropólogo britânico Jack Goody explica na sua obra “Domesticação do Pensamento Selvagem” que o pensamento crítico só é possível quando conseguimos ler um texto duas vezes e repensar o que lemos para podermos distinguir entre o bem e o mal, entre verdade e mentira. Quando o processo de comunicação se torna vertiginoso, assente em multicamadas e extremamente agressivo, deixamos de ter tempo material para pensarmos de uma forma emocional e racional. Ou seja, o pensamento crítico morreu! ( Franco Berardi) O pensamento crítico 

Toda a entrevista do filósofo italiano dá que pensar, mas o que em mim tem mais impacto é «a ideia de que o pensamento crítico morreu», não pelo facto em si, mas por uma razão elementar - deixámos de ler devagar. Isto é, deixámos de ler várias vezes, de procurar interpretar, distinguir o trigo do joio…
Esta razão primeira é aquela que eu sempre considerei como estratégica para quem tem a missão de ensinar a ler / ensinar a aprender a ler, correndo o risco de ser enfadonho e retrógrado…A vertigem comunicacional é, por seu turno, a maior das formas de alienação capitalista atual…
E ler, saber ler, é o trampolim para o combate, mesmo daqueles que preferem o imobilismo. 
É certamente por isso que no tempo de que disponho, vou continuar a insistir na leitura literária e filosófica, apesar da escolástica jesuítica...

16.6.18

O meu campo é o tempo

«L'absurde ne délivre pas, il lie. Il n'autorise pas tous les actes. Tout est permis ne signifie pas que rien n'est défendu.» Albert Camus, L´homme absurde.

Nascido e criado num mundo essencialista, levei algum tempo a rejeitá-lo. A dado momento, atraído pela visão existencialista sartriana, vulgarizada, em termos literários e ensaísticos, por Vergílio Ferreira, caí num niilismo que me provocava calafrios, pois, apesar de tudo, para mim, a liberdade não poderia ser absoluta pelo mal que traria ao Outro, ao Cosmos, ao futuro de ambos…
A necessidade de negar o determinismo conduziu-me a um princípio enunciado por Goethe: «o meu campo é o tempo.» Dito de outro modo, fiz minha a ideia de que sou o meu tempo, nem o anterior nem o ulterior, o que não significa amputar e rejeitar as raízes nem alhear-me das consequências dos meus atos.
Esta consciência da situação em que encontro ajuda-me a separar o trigo do joio numa época em que a morte do Outro se tornou num vulgar gesto instantâneo...

15.6.18

Triste vida!

Não costumo falar de futebol, sinto-me enjoado sempre que ligo a televisão e verifico que o Estado nada faz para acabar com as máfias que vivem do futebol, cansa-me que se desperdicem dias inteiros em torno de jogos que duram pouco mais de 90 minutos, mas vejo-me obrigado a reconhecer que dum jogo pode depender a felicidade dos povos - triste vida!
Talvez seja por isso que, hoje, horas antes de Cristiano Ronaldo entrar em campo, no Portugal-Espanha, a notícia seja:
Cristiano Ronaldo está disposto a pagar 18,8 milhões de euros ao fisco e aceita dois anos de pensa suspensa, após reconhecer quatro delitos fiscais de que foi acusado, avança o jornal espanhol El Mundo. CR7 delinquente

Entretanto, como pode acontecer que algum aluno do 12º ano ainda esteja a empanturrar-se do costumeiro paleio vendido pela máfia das editoras, relembro que, na disciplina de Português, o fundamental é compreender, interpretar e redigir respostas adequadas às perguntas, se possível num registo de língua cuidado.
Como proposta de atividade de rememoração, capaz de satisfazer todos os requisitos mencionados, deixo, aqui, um poema de Manuel Alegre: 

Fernando Pessoa

Vem ver agora o meu país que já
não tem Camões nem Índias para achar
só tem Pessoa e o império que não há
sentado à mesa como em alto mar.

A viagem que faz é só por dentro
e escreviver-se a única aventura.
No pensamento é que lhe dá o vento
ele é sozinho uma literatura.

Eis a vida vidinha cega e surda
ditadura do não do só do pouco.
Ser homem (diz Pessoa) é ser-se louco.

Heterónimo de si na hora absurda
Viajando no sentir escreve sentado.
E é Pessoa: “futuro do passado”.
Manuel Alegre, Sonetos do Obscuro quê (1993)

14.6.18

A flor de tília da árvore do centenário

A árvore do centenário vingou. Oferece-nos a flor para que possamos preparar uma infusão que  acalme os  alunos, agora que os exames vão começar, e que alivie os professores da tosse seca típica de um ano de promessas ministeriais por cumprir...

13.6.18

Borboletas invisíveis II


Estas foram capturadas em Cabeço de Vide, junto às Termas Sulfúreas… 
O pronome parece não ter antecedente, o que é grave, pois, por definição ele substitui um nome.
A verdade é que estas borboletas existem, mas para mim tornaram-se mais invisíveis do que eu próprio.
O mesmo acontece com a água da piscina (tanque?) fluvial. Passa ali um fio água, que se perde pelas fendas  e se evapora quando o calor se intensifica…

E quanto ao cheiro a enxofre, o meu olfato nada me disse, talvez por ter perdido o /c/.

12.6.18

E nem uma palavra!

Só a vitrine separa o olhar da realidade numérica. Tudo parece claro, legível… e nem uma palavra! Talvez a luz tenha anoitecido e o sol se tenha eclipsado.
A própria Fortuna terá desertado, ciente de que nada pode fazer. Deixá-los sonhar!

11.6.18

Ipsos germanos indigenas

Ipsos Germanos indigenas crididerim minimeque aliarum gentium adventibus et hospitiis mixtosCornelii Taciti, De origine et situ Germanorum


 ( Acredito que os germanos são naturais da própria terra e nunca se misturaram com povos de outras regiões…)

A razão de tal isolamento atribui-a Tácito à dureza da terra e à severidade do clima e não a qualquer preconceito de sangue…
Pode ter sido assim em tempos remotos, mas, nos últimos séculos, tudo mudou, infelizmente.

Obras de milhões no Camões

Liceu Camões vai receber obras de milhões Que belo título!
A notícia há muito esperada, mas o título surge envenenado:

O concurso internacional para as obras no Liceu Camões, em Lisboa, que espera há anos por uma intervenção, vai avançar até ao final do mês e envolve um investimento de 12,46 milhões de euros, segundo o Ministério da Educação.

Apesar de tudo, esperemos que a obra não encalhe nas manobras da geringonça...

10.6.18

Recanto

Jardim da Gulbenkian
«Je veux savoir si je puis vivre avec ce que je sais et avec cela seulement. (…) Je veux seulement me tenir dans ce chemin moyen où l'intelligence peut rester claire.» Albert Camus, Le suicide philosophique.

A formulação tranquiliza, mas a verdade é bem mais cruel: vou ter que viver com o que nunca chegarei a saber, desejando que a inteligência me ajude a encontrar os recantos mais aprazíveis, onde possa afastar-me da prepotência da tirania das horas e dos ditadores do momento...

9.6.18

Portugal fora da rota angolana

Se alguma coisa ficou demonstrada pela viagem de Estado do Presidente angolano à Europa, que passou também por Espanha, embora aqui a título não oficial, é que na nova era da política externa angolana Portugal não estará no epicentro. Portugal não é importante para Angola

Angola precisa de capital, de investimento.
Portugal precisa de exportar "trabalhadores", uns mais classificados do que outros, é verdade. Mas será que chega? 
Não. Sem capital, não há investimento, não há trabalho.
O que falta a Portugal é capital. Porquê? 
Porque uma boa parte dos recursos financeiros tem sido desviada para alimentar o hedonismo das novas elites portugueses e angolanas…
Porque, apesar do que se propagandeia, a cultura lusófona mais não é do que propriedade de uns tantos literatos bem instalados…
Porque é difícil libertarmo-nos da ideia imperial de uma variante europeia normativa da língua portuguesa.
Porque na era da globalização, não é assim tão difícil mudar a língua oficial - o inglês é a língua do capital. Ou será que há outra?
Porque, no passado, não soubemos tratar os povos angolanos como "iguais" e, no presente, não nos conseguimos libertar de múltiplos preconceitos que não é necessário enunciar.

8.6.18

A confidencialidade de Jesus

Jorge Jesus revelou esta sexta-feira numa palestra promovida pelo International Club of Portugal a existência de uma cláusula de confidencialidade que o impede de falar sobre o Sporting.Pai, afasta de mim…

Jorge Jesus está impedido de falar do Sporting, isto é, do que se passou nos últimos meses, designadamente em Alcochete. Por quem?
Será que se a Justiça o convocar, Jesus se recusará a falar em obediência a tal cláusula? 
Por este andar, o Redentor ainda acaba no Inferno, a não ser que se converta ao Islamismo, onde, como se sabe, esse tipo de cláusula pode ser objeto de 'fatwa' que o liberte do anátema cristão…

7.6.18

Taciturno

Sobre Tácito, sabemos muito pouco. Até o apelido familiar pelo qual hoje é conhecido (Tácito/Tacitus) é um adjetivo que exprime algo como não manifesto, não expresso, reservado. O que podemos afirmar sobre a sua biografia e personalidade são em parte conjeturas que resultam do cruzamento de dados soltos entre a história do seu tempo e a sua própria obra histórica. Provavelmente nasceu em meados dos anos 50 d. C.; foi senador e chegou a cônsul (em 97) e procônsul da Ásia (110-113); fez parte da elite social e económica da Roma do Principado e alcançou o topo político que a sua época lhe oferecia. Abandonou a administração imperial para se consagrar inteiramente à História. Tácito


(De Cornelii Taciti, conservo a obra De origine et situ Germanorum, cuja leitura há muito abandonei, mas que volto a folhear…e verifico que tempos houve em que dei muita atenção aos lugares e aos costumes dos povos germanos…tudo em Latim)

Por estes dias, prefiro a reserva a pronunciar-me sobre as manobras em curso… Prefiro até revisitar Tácito, mesmo que a tarefa me imponha o recurso continuado ao dicionário…

6.6.18

No dia em que fui de férias

Neste dia 6, terminei mais um ano letivo. A opinião pública dirá que entrei de férias, indiferente ao período de avaliações que amanhã se inicia e ao período de exames que se avizinha e cujo termo está marcado para 31 de julho…
De qualquer modo, as boas almas não se cansam de me desejar "boas férias" e perguntar se volto para o ano, quer dizer, se, depois das férias, não me aposento…
O ano letivo que agora termina foi cansativo - um novo programa e novos alunos em fase de conclusão de ciclo. 
A verdade  é que me é difícil persuadir os alunos (nem todos, felizmente!) que ainda há qualquer coisa que, todos, podemos aprender. A dificuldade é fruto do convencimento de que temos ideias sobre tudo e que as nossas ideias são tão válidas como as alheias, mesmo que todas juntas não tenham qualquer préstimo…
Conceber uma ideia, experimentá-la, avaliar a sua pertinência não faz qualquer sentido para quem se habituou a "achar" que as ideias são inatas, e como tal de nada serve procurar-lhes a raiz, seguir-lhes o desenvolvimento, situá-las  e confrontá-las... 
No dia em que vou de férias, lembro-me sempre do Bexiguinha (Aparição, V.F), pronto a testar a sua natureza divina, pois há sempre quem tenha a ideia de que, injustiçado, o melhor a fazer é proclamar a sua superioridade inteletual, o seu insuperável desdém...

5.6.18

A verdade da aranha

«En psychologie comme en logique, il y a des vérités mais point de vérité.» Albert Camus, Le raisonnement absurde.

Indignar-me, só no momento. Não tenho tempo para mais. É por mais evidente que a soma da verdade de cada um não perfaz a Verdade. Nem ela é possível ou, em último caso, não está ao meu alcance…
Mais sossegado, avanço na teia, calibro todos os nós que a constituem, na esperança que ela não desfaça a minha verdade do dia - cada indivíduo merece uma oportunidade, mesmo se cretino…
E para que o meu sossego não se desmanche, por favor, não me falem em nome da Verdade e muito menos em nome da Justiça!

4.6.18

O ministro da educação, vítima de notícia falsa (!?)

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, confirmou hoje que os professores não vão ter contabilizado qualquer tempo de serviço congelado por terem falhado as negociações com os sindicatos. Um ministro à deriva

Esta notícia deve ser falsa. Porquê? 
Porque o ministro fizera uma promessa a todos os professores que uma parte do tempo de serviço congelado iria ser contabilizado. Parece agora que essa promessa fora feita a 22 sindicatos de professores (não sei se é possível confirmar o número!) e não a todos os professores… E como os, entretanto, 23 sindicatos querem um descongelamento total, o senhor ministro, ignorando que as promessas são para cumprir, decide castigar todos os professores - diga-se que uns tantos já não lhes adianta o descongelamento, pois estão cada vez mais próximos da incineração ou da corrupção dos corpos…
E, como não poderia deixar de ser, o senhor Miguel Sousa Tavares lá veio dar mais uma bicada nos professores, profundo ignorante em matéria de remunerações e progressões, como comprovou, de imediato, ao defender a remuneração acrescida dos médicos, na qualidade de funcionários públicos… nestas coisas, há uns que são filhos e outros que são enteados! Ou será que o SNS lhe faz falta e a Educação, não?

3.6.18

Por pouco tempo!

 Antes, era assim - 29 de abril de 2018...
31 de maio de 2018, ficou assim. Por quanto tempo?

Pode ser que a época dos incêndios não chegue, a Natureza, porém, não deixará de seguir o seu caminho…
Pelo caminho, uns tantos enriquecem à conta da falta de meios dos proprietários. Por sua vez, o Estado, providente e previdente, já abriu a caça à multa...

2.6.18

Borboletas invisíveis I

 «Toutes les grandes actions et toutes les grandes pensées ont un commencement dérisoire.» Albert Camus, Les Murs Absurdes...

... 'dérisoire' é um dos poucos termos que sempre me deu que pensar, que nunca soube traduzir, apesar do suposto 'ridículo' em que vivemos, da 'insignificância' das nossas vidas.
Camus conforta-me ao relativizar os meus atos, pois as grandes ideias, quanto ao seu parto, não se distinguem em nada das minhas, ridículas, fúteis e inúteis... 


Talvez por isso tenha cedido a ir visitar a Quinta Conde de Arcos, aos Olivais. Dos viveiros às hortas comunitárias, das borboletas brancas (invisíveis nas fotos) ao majestoso dragoeiro, só as couves 'baceleiras' despertaram verdadeiramente a minha atenção. E porquê? 
Porque me fazem recordar um prato designado "papas de sarrabulho" que, no entanto, era confecionado com a referida couve baceleira migada e misturada com farinha de milho e um eventual ovo...
Porque atualmente, a informação disponível ignora esta variedade de couve que lembra o arbusto resultante de um bacelo selvagem e porque, em tempos de riqueza gastronómica, não há sarrabulho sem carne de porco, galinha e não sei que mais... 

1.6.18

Sem-abrigo com abrigo!?

O Presidente bem clama a favor da integração dos sem-abrigo e confirma, agora, que o plano está a avançar.Os sem-abrigo na agenda política

Pode ser que sim, embora me pareça que esta realidade social é demasiado dinâmica para que possamos confiar num plano tão bem calendarizado - os sem-abrigo morrem e outros ocupam-lhes o lugar, indiferentes ao voluntarismo presidencial... O país empobrece e o número dos sem-abrigo cresce.


Entretanto, vale a pena registar que os sem-abrigo já descobriram abrigo junto do edifício da Altice nas Picoas, até porque esta parece nem sequer cuidar do mato que medra à sua volta...