30.9.10

O Tempo das Palavras…

  O Tempo das Palavras  

«Não respiro o passado, quero lá saber do / que foi por já ter sido, ou do que fui», António Souto, O Tempo das Palavras

Os poetas são homens e mulheres virtuosos porque dizem sempre o que sentem, mesmo quando o enunciado parece aprisionar o leitor.

O Tempo das Palavras, rigorosas, castas e melódicas, esconde e revela um tempo de acção primordial na descoberta do amor e da escrita. E desse tempo, nas palavras ditas, eleva-se uma perda por assumir ou, em alternativa, a consciência de que a única superação é de ordem estética.

Descoberto o caminho, o poeta deve dizê-lo até ao fim…

PS: Peço perdão ao Armindo S. de, por enquanto, nada dizer das suas palavras.

 

Uma questão de respeito…

O credor é, por definição, aquele a quem se deve dinheiro ou algum valor. HOJE, a classe política (e todos os seus sequazes) deve respeito aos portugueses.

Se nos quisessem respeitar, os governantes teriam decoro no modo como abordam e procuram soluções para o problema nacional. Por exemplo, poderiam pôr-se de acordo no corte das despesas supérfluas. HOJE, no Parlamento, poderiam elencar tudo o que, de facto, é desnecessário para o funcionamento do Estado, a começar pelas múltiplas comemorações, por uma boa parte dos feriados nacionais; decidindo, por outro lado, a redução em 25% do número de ministros, secretários de estado, de assessores, deputados; mandando encerrar e vender 25% dos edifícios afectos ao, chamado, património do estado. Um património que só dá prejuízo!

E sobretudo deveriam acabar, de vez, com os negócios do estado. As obras, todas as obras, devem ser privadas. E a responsabilidade financeira deve ser totalmente dos privados. As parcerias público-privadas devem ser transferidas integralmente para o privado e, não havendo condições, os contratos devem ser, de imediato, cancelados. Por exemplo, a Parque Escolar deve ser dissolvida, porque, a prazo, vai tornar-se num negócio ruinoso para os portugueses…

Já não se trata de apurar quem é o culpado ou de quem se posiciona melhor para ganhar as próximas eleições, o que está em jogo é saber se os políticos ainda vão a tempo de querer respeitar os portugueses, ou se preferem que os portugueses lhes faltem ao respeito…

29.9.10

Credores externos e internos…

Parece impossível escapar às medidas draconianas anunciadas pelo Governo. No entanto, não acredito. De facto, os funcionários públicos  não poderão evitar essas medidas. Mas, quanto aos restantes portugueses o que é que vai acontecer?

O Governo só pensa em cobrar, e isso parece fácil enquanto o país não estiver reduzido a pele e osso. O Governo teima em argumentar com a necessidade de cumprir os compromissos com os credores externos e esquece-se deliberadamente de apresentar contas aos credores internos.

Para satisfazer a gula externa, vamos sacrificar os trabalhadores cumpridores (e só estes!). Até quando?

Em nome da contabilidade nacional, todos os serviços deveriam suspender os projectos inconsequentes  que, na maioria dos casos, são factores de desperdício de tempo e de energia.  Por exemplo, no caso da educação, o actual modelo de avaliação que visa, acima de tudo, condicionar a progressão dos funcionários deve ser suspenso, pois o congelamento das progressões torna-o o obsoleto. Tomada a medida e, por arrasto, a primeira estrutura a desabar deveria ser o Conselho Científico responsável pela Avaliação…

26.9.10

Entre o viva e o abaixo…

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Lá arranjei tempo para visitar a exposição “VIVA A REPÚBLICA…” Entrei expectante e saí frustrado, ao contrário da maioria dos visitantes com quem já tivera oportunidade de abordar o assunto… E porquê? Porque a exposição deixou-me a sensação de que os políticos do 1º quartel do século XX gastaram mais tempo a destruir do que a construir; gastaram mais tempo em lutas fratricidas do que a incrementar o ideário republicano.

Deixou-me ainda outra sensação desagradável: a de que preferimos as soluções musculadas.

25.9.10

Cadinho português …

Ao ouvir o modo como os governantes falam do presente e do futuro do país, lembrei-me que, ao contrário de outros estadistas, eles nunca falam do passado mais ou menos remoto. Do passado recente ainda se servem para uns soezes ajustes de contas. Mas, de verdade, não revelam qualquer conhecimento da História… E não se trata apenas dos governantes, também os deputados da nação não vão além de estereotipadas referências ao diabólico Estado Novo!

Os atletas campeões, nas diversas modalidades desportivas, ficam mal no pódio se não conseguem cantar o hino nacional e, no entanto, ninguém exige a quem nos governa que saiba um pouco de História. Se os governantes, antes de tomar posse, fossem obrigados  a prestar provas, por exemplo, sobre as causas da decadência nacional no séc. XVI ou sobre os efeitos da fuga da família real para o Brasil,  ou, ainda, sobre as razões do crescimento do partido republicano na segunda metade do século XIX, ou sobre o sucesso de um beato e obscuro ministro das finanças a partir de 1926, seguramente, não nos encontraríamos no actual estado de falência das instituições e de degradação moral…

Quem ignora a História tende a meter a cabeça na areia, deslumbrando-se com o fogo-fátuo dos gadgets e da vaidade pessoal. A propagandeada aposta num Portugal tecnológico não difere em nada da crença num ‘império português’ ou num ‘império da língua portuguesa’. Nestes comportamentos há, em comum, uma ideia de desmedida que esconde a falta de preparação ( de conhecimento das causas da nossa atávica decadência) e de sentido de responsabilidade para o exercício de cargos políticos.

É, hoje, claro que os Costas e os Buíças do regicídio  não eram franco-atiradores dementes. Eram homens com fervor patriótico,  longamente preparados para a imolação. Se dúvidas houver, basta ler os discursos políticos de Afonso Costa…

23.9.10

Clivagem…

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Uma das causas da pobreza mental resulta da incapacidade de divulgar e de aplicar as soluções que diariamente despontam. A outra, talvez mais profunda, tem origem no deslumbramento individualista.  A abordagem das questões raramente coloca em primeiro lugar a colectividade, por isso a pobreza alastra, exposta ou escondida, enquanto que da riqueza, apenas, sobram as migalhas…

Nos dias que correm, tornou-se uma rotina adiar, tornear os problemas. Em vez de procurar estratégias que permitam superar as dificuldades, preferimos convocar a (des)mobilização…

18.9.10

Se não fosse o Sol…

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Se não fosse o Sol, esta cidade, que cresceu e vive ao sabor do expediente, seria tão triste que ninguém a procuraria. Graças a esta luz de fim de Verão, as máquinas fotográficas podem captar instantâneos de cenas exóticas e animadas, enquanto que nos umbrais das portas, a vida estiola…

Consciente deste nosso trágico destino – só o Sol nos faz brilhar! – Pina Manique, verdadeiro senhor do Intendente, impunha o recolher obrigatório logo que o astro rei se esfumava. Talvez seja com a mesma intenção que António Costa terá decidido mudar-se para o Largo do Intendente…

17.9.10

Poceiros…

Num tempo em que decidir é uma constante da vida actual não se entende como é que os ‘decisores’ avançam e recuam com tanta facilidade em questões que, no mínimo, aumentam a angústia dos cidadãos e arruinam o futuro da colectividade.

Nos locais de trabalho, nos transportes, nas ruas, domina um sentimento de insegurança que pouco tem a ver com o aumento da criminalidade  ou com o efeito de qualquer cataclismo mais ou menos previsível. A insegurança  é manipulada em função de objectivos ocultos nacionais e transnacionais e transmitida despudoradamente pelos média.

O cidadão é chantageado por mentes torpes e ignaras que há muito deixaram de se preocupar com o bem público. E essas mentes delinquentes sobrevivem impunemente, pois são elas que decidem as regras do jogo. Um jogo soez em que as vítimas são incapazes de se defender ou de encontrar quem as defenda. Tudo isto quando  vivemos a ilusão de que nunca desfrutámos de tanto poder!

15.9.10

Quem anda à chuva…

Agora, que estamos, de regresso à escola, bom seria se (re)lêssemos a Arte de Argumentar, de Anthony Weston. Muitas das discussões que se avizinham talvez pudessem ser evitadas, pelo menos, as questões seriam abordadas de forma mais serena, fundamentada e consistente. E, por outro lado, os alunos poderiam aprender a argumentar, distinguindo os argumentos, das premissas e dos exemplos.
Lembrei-me desta obra, no preciso momento, em que me enviaram o despacho nº 14420/2010, de 15 de Setembro de 2010. Já estou a antecipar os múltiplos pontos de vista a que terei de dar atenção, quando, de facto, penso que quanto maior é o nº de avaliadores num serviço, maior é a dificuldade em aplicar, de forma uniforme,  o procedimento avaliativo, mesmo que os itens sejam claros e aceites por todos.
Aqui está uma conclusão que pede argumentos que a validem. E isso dá trabalho!
(De verdade, é possível andar à chuva sem nos molharmos! Ou não?)

12.9.10

Antes do anoitecer…

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Antes do anoitecer, já a cidade dá sinais de que o dia seguinte será de labuta furtiva. Uma Lisboa encardida cresce tentacularmente nas ruas e vielas, escondendo a pobreza dos indígenas e dos estrangeiros que, solidários na miséria, caminham lado a lado, na expectativa de que o sol, um dia, possa brilhar para todos.

11.9.10

Dissimetrias…

Se as cidades se deixam cercar por ilhotas de betão, onde se escondem múltiplas actividades mais ou menos clandestinas, embora os terrenos sejam cedidos pelas câmaras municipais, quando viajo para o interior do país tudo muda. Nos últimos anos, os olivais, copiosos, nascem que nem cogumelos, sem que se perceba de onde saiu o capital para o investimento nem para onde migram as mais-valias resultantes do negócio. Por outro lado, os campos, desertos, estendem-se secos e cobertos de mato… A dissimetria do território reproduz a dissimetria mental de quem nos governa… A pobreza expõ-se bem visível; a riqueza exuberante exíbe-se, rosto bem dissimulado… 

10.9.10

A arte de se esconder…

Nos últimas semanas, percorri parte dos concelhos de Oeiras e de Sintra, ficando com a ideia de que o território está a ser vítima de um verdadeiro assalto. Ali se encontram escondidas centenas de empresas, muitas delas, quase, clandestinas. Descobrir-lhes o lugar e os contactos é uma verdadeira aventura. Fica-se com a sensação de que não querem ser encontradas. As urbanizações que as encobrem são verdadeiros labirintos, onde ninguém conhece ninguém. Durante o dia, não há sinal de qualquer policiamento.

O trânsito, designadamente de veículos pesados, é caótico, sinal de uma verdadeira azáfama que, no entanto, não parece controlada por qualquer autoridade. Interessante seria se alguém prestasse contas do contributo que estes ‘nichos’ trazem à economia nacional.   

6.9.10

A antecipação…

Alunos há que se apresentaram hoje na escola, bem-humorados e com promessas de trabalho esforçado e honesto. Asseguram até que já têm com eles os novos manuais. Esperemos que não seja fogo-fátuo!

5.9.10

Ao fim da tarde…

Doca de Santo AmaroCom a dose de sardinha a 13 €, sobram os reflexos do aço e da luz. Infelizmente, a água mostra-se demasiado viscosa. E nem vale a pena referir o ruído contínuo do tabuleiro da ponte e dos aviões que o sobrevoam.

4.9.10

Facetas de Belmonte…

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O  rio Zêzere (o vale; o museu); a terra dos cabrais ( panteão; museu das descobertas); o castelo (as fronteiras); o museu judaico e a sinagoga; Zeca Afonso (aqui fez os estudos primários, aqui descobriu a toada da poesia popular); a fruticultura ( o museu do azeite)…

2.9.10

YUKIO MISHIMA noTeatro da Comuna

Hanjo estreia hoje. Paulo Lage encena, de forma sóbria, mas excessivamente robotizada, esta peça, escrita em 1956, sobre o comportamento humano. Sobre a loucura e o egoísmo. Sobre quem tudo espera e sobre quem nada espera (Suzana Borges / Joana Metrass). No final, será o homem a perder tudo (Elmano Sancho). A recompensa acaba por sobrar para quem diz que nada espera mas tudo vai manipulando…
PS: Em noite de calor, não se esqueça de levar um leque.
Hanjo
Original de Adriana Molder

1.9.10

Na Quinta de Santa Iria…


Há, de facto, galináceos e coelhos. Os últimos são tão imprevistos e rápidos que o fotógrafo não tem tempo de “sacar” da máquina fotográfica. E os primeiros, apesar de os poder vizualizar em miniatura, quando tento carregar a respectiva imagem, verifico que o resultado é bem diverso. Milagres da tecnologia!
Por isso, aqui lanço mais umas fotos da Quinta de Santa Iria, na estrada de Caria, Covilhã. Esta quinta pertence ao Cofre de Previdência.