21.7.18

Burlões e aldrabões

O Presidente da Câmara de Pedrógão Grande ainda experimentou o argumento da inveja… O vizinho denuncia porque é invejoso, pelo menos, desde o século XVI - ver Garcia de Resende… Camões acabou por escrever a Epopeia, sem no entanto, escapar à inveja coeva que lhe limpou a biografia. O próprio revela sintomas da doença coletiva, pois o Gama não se lhe compara em engenho e arte…

Não são só as multas que prescreveram. PS, PSD e CDS foram condenados pelo Tribunal Constitucional, em 2013, a devolver um milhão de euros, mas o Parlamento confirma ao SOL que chegou a ‘acordo’ com os partidos e nem todos os montantes que lhe eram devidos foram pagos. AR perdoa as dívidas dos Partidos

Durante muito tempo, utilizei o argumento da inveja, apesar de não ignorar o conteúdo da ARTE DE FURTAR, agora, creio que vou recuar e passar a defender a ideia de que a matriz da portugalidade está desde o início contaminada pela burla e pela aldrabice… e a literatura não passa de um aformoseamento da realidade, como diria o Fernão Lopes, entretanto, mandado recolher à Torre do Tombo.

20.7.18

Mais uma mocada no contribuinte

De momento estou bastante aborrecido - refém dum incumpridor construtor civil - vou lendo artigos de velhos jornais à procura de alguma pepita, e espreitando as notícias do dia… Ora, a espreitadela cai sobre as inevitáveis "almofadas financeiras"...
Perante a banalização do termo, não resisto à pesquisa da origem da palavrinha Almofada:

Origem da palavra Almofada

Do árabe al-mokhadda, que significa “o lugar da face”, “travesseiro” ou “coxim”. A palavra “almofada”, segundo alguns etimologistas, teria origem no árabe, al-mokhadda, sendo o prefixo al utilizado como um artigo definido, como “o” ou “a”. Aliás, grande parte das palavras começadas com o prefixo "al" na língua portuguesa são de origem árabe. A expressão al-mo seria relativa a “o lugar”, pois o termo ma / pode ser traduzido por “lugar” ou “posição”.Por fim, khadda é uma derivação da palavra khaddon, que quer dizer “face” ou “rosto”.
Ou seja, por estes dias,  "almofada"  passou a significar mais uma mocada no contribuinte! 
Já agora, se fossemos brasileiros, em vez de 'almofada' diríamos 'travesseiro'. E compreende-se! E eu que sou do tempo em que na esteira ainda havia um travesseiro! Quanto ao número de almofadas, esse dependia da situação financeira de cada família...

19.7.18

A Poesia passa bem sem a História

É lugar-comum defender que a Poesia passa bem sem a História, o que nos livra de incómoda erudição e, sobretudo, nos limpa a alma. 
Vem isto a propósito da prova de exame de Português (12º ano, 2ª fase) que, mais um vez se serve de Ricardo Reis, o heterónimo de Pessoa (que o de Saramago ficou na gaveta), "autor" da ode "Prefiro rosas, meu amor, à pátria" (1.6.1916)…, o que me obriga a recordar o desconforto pessoano perante o desfecho trágico (mais de 8000 mortos) da batalha naval da Jutlândia (31.5.1916) / post de 15.6-2015

A ataraxia na poesia de Ricardo Reis é uma questão mal fundamentada

Definição:
«Constituindo (a ataraxia ) um estado anímico, exprime um ideal de sabedoria, um fim ou telos a atingir pelo filósofo (...) É concebida como uma ultrapassagem racional da demasiada humana vulnerabilidade e sujeição à fortuna e aos acidentes, sejam estes de origem interna, as paixões, sejam provenientes do exterior, como as doenças, a pobreza, as desgraças, o mal físico, ou o desaparecimento de entes queridos.» Rui Bertrand Romão, in Dicionário de Filosofia Moral e Política.

O conceito de ataraxia é fundamental para a compreensão da filosofia de vida de Fernando Pessoa / Ricardo Reis:

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indif'rença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Ricardo Reis, 1/6/1916
(...)
Apesar do que é habitual afirmar-se sobre a indiferença de Ricardo Reis em relação aos acontecimentos exteriores, creio que este heterónimo é mais a expressão do desconforto de Pessoa perante o sacrifício da vida humana (8642 homens) em guerras que nada acrescentam à vida do que uma posição de alheamento da realidade envolvente.
Este poema foi escrito precisamente quando terminou a Batalha da Jutlândia:

Segundo os historiadores, trata-se da mais importante batalha naval da I Guerra Mundial. Ocorreu no dia 31 de maio de 1916, nas águas da península da Jutlândia (Dinamarca), e opôs a frota britânica comandada por Sir John Jellicoe e a frota de Alto Mar alemã do almirante Reinhard Scheer. Tal como outros combates desta guerra, a batalha teve pelo menos duas fases e viria a terminar com a fuga da frota germânica. A dureza do combate fez-se sentir nas baixas de cada lado. Nesse combate os ingleses perderam 3 cruzadores, 8 contratorpedeiros e 6097 homens contra 1 couraçado, 1 cruzador pesado, 4 cruzadores, 5 contratorpedeiros e 2545 homens por parte dos alemães. Contudo, apesar de, aparentemente, as perdas britânicas terem sido superiores às germânicas, depois deste confronto os ingleses tornaram-se senhores dos mares controlando toda a navegação. A tal ponto que, até ao final da guerra, a frota alemã de superfície teve de permanecer imobilizada nas suas bases. (Infopédia)

18.7.18

Aprendizagens essenciais. Em que século estamos nós?

As Aprendizagens Essenciais (AE) são documentos de orientação curricular base na planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem, e visam promover o desenvolvimento das áreas de competências inscritas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade ObrigatóriaA educação literária do ministério da educação

Sempre me ensinaram que, em matéria de ensino, é fundamental dar um passo de cada vez - do conhecido para o desconhecido, do simples para o complexo, do observável para o reflexivo, do perto para o distante, do literal para o simbólico…
Sempre me ensinaram que, em matéria de educação, o perfil do indivíduo deve ser desenhado em função do modelo de sociedade em construção…
A verdade é que devo ter aprendido tudo ao contrário. Por exemplo, pensava que Garrett e Herculano eram personalidades distintas ou que A Relíquia e Os Maias, embora do mesmo autor, teriam um papel bem diferente na formação do cidadão…
De qualquer modo, resta-me a esperança de que, eliminados Os Maias e quase todos os romances escritos no século XX, o ministério da educação elimine também a poesia - matérias que exigem tempo de leitura, de interiorização, de reflexão, pois o que nos falta é tempo… e juízo…
Em síntese, os professores de Português já não são necessários, a não ser para recitar meia dúzia de disparates propostos por volumosos manuais produzidos pelas editoras do regime… 

 LISTA DE OBRAS E TEXTOS PARA EDUCAÇÃO LITERÁRIA – 10.º ANO

POESIA TROVADORESCA 
Cantigas de amigo Cantigas de amor Cantigas de escárnio e maldizer  - (quatro)  (duas)  (duas)
AUTORES E OBRAS  
Gil Vicente Farsa de Inês Pereira (integral) OU Auto da Feira (integral) 
Luís de Camões
Rimas: redondilhas (escolher 4) e sonetos (escolher 8) 
Os Lusíadas  Canto I, ests. 1 a 18; canto IX, ests. 52, 53, 66 a 70, 89 a 95; canto X, ests. 75 a 91 (a constituição da matéria épica)  Canto I, ests. 105 e 106; canto V, ests. 92 a 100; canto VII, ests. 78 a 87; canto VIII, ests. 96 a 99; canto IX, ests. 88 a 95; canto X, ests. 145 a 156 (reflexões do Poeta)

LISTA DE OBRAS E TEXTOS PARA EDUCAÇÃO LITERÁRIA – 11.º ANO

AUTORES E OBRAS  
Padre António Vieira “Sermão de Santo António. Pregado na cidade de S. Luís do Maranhão, ano de 1654” 
Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa 
Almeida Garrett ou  Alexandre Herculano ou   Camilo Castelo Branco, uma obra narrativa 
Eça de Queirós, um romance 
Antero de Quental, três poemas
Cesário Verde, três poemas

LISTA DE OBRAS E TEXTOS PARA EDUCAÇÃO LITERÁRIA – 12.º ANO 

OBRAS DE FERNANDO PESSOA
Poesia lírica Fernando Pessoa ortónimo 
Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos 
Prosa - Livro do desassossego, de Bernardo Soares (fragmentos) 
Poesia épica Mensagem (seis poemas)

POEMAS DE POETAS PORTUGUESES CONTEMPORÂNEOS
(três poetas de entre os que se indicam) 
Miguel Torga, Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Alexandre O’Neill, António Ramos Rosa, Herberto Helder, Ruy Belo, Manuel Alegre, Luiza Neto Jorge, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral

ROMANCE DE JOSÉ SARAMAGO, Memorial do Convento ou O Ano da morte de Ricardo Reis 

Em que século estamos nós aqui nesta nossa terra? (eco camiliano…, o tal que é equivalente a Garrett ou a Herculano.)
 

17.7.18

Caio no ininteligível

«Je sais (…) que je ne cherche pas ce qui est universel, mais ce qui est vrai.» Albert Camus, L'espoir et l'absurde dans l'oeuvre de Franz Kafka

Como não consigo lidar com o universal, pois isso pressupõe uma conceção religiosa, para mim, inatingível, limito-me a procurar a verdade, o que se me afigura cada vez mais difícil, porque, à força de tratar da mentira, caio no ininteligível, não tanto porque sejamos todos mentirosos, mas porque, a cada momento, fechamos os olhos, deixando-nos levar ora por ondas de antipatia ora de simpatia…
Perante a morte, essas ondas súbitas de simpatia levantam-se para posteriormente rebentarem na areia que tudo apaga, a não ser que uma qualquer religião decida prolongar o angelismo que as típica…
Hoje, faleceu o dr. João Semedo (1951-2018), virtuoso como é de tradição. Depois de amanhã, a onda desfalecerá…

Deve ser mentira!

De acordo com a legislação, cada partido arriscava-se a pagar entre 4.289 e 171.560 euros, enquanto no caso dos dirigentes podia ir de 2.144 a 85.780 euros. O Tribunal Constitucional (TC) deixou passar o prazo para aplicar multas aos partidos e políticos pelas irregularidades detetadas nas contas de 2009, de acordo com a TSF. Praticamente todos os partidos ficam, assim, livres das coimas, além dos 24 responsáveis financeiros. O Tribunal Constitucional

Deve ser mentira! Neste país, o Tribunal Constitucional ia lá esquecer-se. Impossível!

16.7.18

Placa informativa obsoleta




A Carris despreza os utentes e esquece as placas informativas cheias de ferrugem...

Exemplo da falta de zelo da carris

15.7.18

A extensão

A extensão tem sido descurada, mas só ela nos permite iludir o tempo.
Sem ela, não passamos de almas penadas a lastimar o tempo decorrido…
O melhor é sairmos de nós próprios e deixarmos que os pés nos levem e os olhos se deixem cativar…

14.7.18

A questão geracional

Jacinto Lucas Pires, a propósito da publicação da peça de teatro "Universos e Frigoríficos", em entrevista a Maria Teresa Horta (DN, 27.12.1997), caracteriza a (sua) geração dos anos 90 do seguinte modo: Somos uma geração que cresceu a ver televisão, que leu menos livros e outros livros do que os nossos pais, leu mais banda desenhada, viu outros filmes. Tudo isto tem de trazer formas novas para as formas já existentes.

É possível que Jacinto Lucas Pires tenha razão quanto ao retrato que faz da sua geração. A memória diz-me que sim: os jovens viam muita televisão, liam menos, revelavam fastio ao ler os clássicos, preferindo leituras menos incomodativas, iam ao cinema, assunto totalmente ignorado nas salas de aula.
Quanto à recriação das formas já existentes, não parece que tenha havido uma verdadeira revolução, sobretudo se considerarmos o "cânone" estabelecido pelo Ministério da Educação.
Ao olhar para esta última geração, parece que, em muitos casos, estamos a assistir à travessia do deserto - nem televisão, nem cinema, nem banda desenhada… leitura só a dos títulos oferecidos pela Internet… e muitas imagens de SI, muitos gracejos apatetados, muita torpeza…

Mais uma razão para «persistir como Sísifo».

13.7.18

Sísifo

Il n'est pas de punition plus terrible que le travail inutile et sans espoir. Albert Camus
(Não há castigo mais horroroso do que o trabalho inútil e sem esperança.)

Não tenho mais nada a acrescentar, a não ser persistir como Sísifo.

12.7.18

Não pode ser!

Estou mesmo cansado porque o esforço de mais um ano foi defraudado. Já o sabia, e o resultado dos exames comprova-o… E como diria o Cesário Verde, estou com "as tonturas de uma apoplexia", pois há quem queira ganhar na secretaria depois de ter abandonado o terreno… com a minha ajuda…

11.7.18

Ad kalendas graecas soluturos

Governo e professores vão analisar custos da recuperação do tempo de serviço congelado…
Fantástico! O que é que andaram a fazer até hoje?
Bem me parecia que, para já, iam todos de férias… Em setembro, os contabilistas começam a trabalhar para o OGE de 2020... Ou será que já ninguém sabe fazer contas?

(Aldrabice!)

Dia D?

Professores e governo têm hoje o ‘Dia D’
"D"?
Em português (em francês), o que me vem de imediato à mente, é 'derrota', 'desastre'... Ainda se fosse Dia "V"...
O meu ceticismo não é saudável, mas não acredito nestes jogos de verão - construções na areia para ocupar o tempo…
De qualquer modo, estou com os ingénuos que acreditam na mudança. Só não entendo, como é que é possível chegar-se lá, se os protagonistas continuam a ser os mesmos de sempre...

10.7.18

E este Tempo já não é o meu...

Doze menores, um adulto e quatro mergulhadores. A operação na gruta Tham Luang, em Chiang Rai, na Tailândia, chegou ao fim com toda a gente a salvo. Num dia que é de vitória, lamenta-se porém a morte de Saman Guman, ex-membro da marinha tailandesa, que faleceu no passado dia 6 de julho, depois de levar uma reserva de ar às crianças.
Bem sei que o que vou escrevendo não passa de um acerto de contas com o Tempo e, como tal, intransmissível e, por vezes, incompreensível, mas não posso deixar de expressar a minha satisfação pela mobilização internacional na evacuação do grupo de jovens tailandeses, tal como saúdo a coragem de Cristiano Ronaldo ao transferir-se para o futebol italiano, ou o apuramento da França para a final do Mundial de futebol…
Quando quer, o homem mobiliza-se, aplaude, reconhece a competência do Outro… só que o mesmo homem esquece  as dezenas de milhar de crianças migrantes que se afogam ou vivem em miseráveis campos de acolhimento ou, simplesmente, são objeto do apetite sexual de inúmeros predadores…
E este Tempo já não é o meu - da emoção ou da resignação - mas o daqueles aquém o Tempo falha em definitivo...

9.7.18

A criação

«De toutes les écoles de la patience et de la lucidité, la création est la plus efficace. Elle est aussi le bouleversant témoignage de la seule dignité de l'homme: la révolte contre sa condition, la persévérance dans un effort tenu pour stérile.» Albert Camus, La création absurde

O pensamento absurdo caracteriza-se, a meu ver, pela capacidade de formular perguntas que jamais obterão resposta, o que poderia conduzir ao desespero total e suicida, tendo em conta os limites da condição humana.
No entanto, aquilo que Camus propõe, ao defender o pensamento absurdo, é que o homem se revolte contra essa condição através da ação criativa - a única verdadeiramente libertadora - que, no entanto, exige paciência, perseverança e lucidez… E são estas qualidades que a todo o instante vislumbro nos criadores com que me vou cruzando ao longo dos dias, apesar da dificuldade em acompanhá-los…

8.7.18

Maria José Ferreira no MU.SA, Sintra

Para evitar apreciar o que certamente está para além do que vi hoje, em Sintra, no MU.SA - "35 ANOS DE PINTURA" de Maria José Ferreira -, proponho ao visitante deste blogue que ignore os meus "ditos" e visite o seguinte site: http://mariajoseferreira.pt/
O que eu vi na sala Claraboia, foi um mundo construído sobre uma nostalgia matriarcal africana, envolvido numa geometria falsamente surreal, pois há sempre uma linha invisível que assegura o volume dos corpos, e em que a cor deslumbra porque cria a sensação de que a solidez se pode desmaterializar a qualquer momento… 
Há por ali um ponto de equilíbrio desconcertante, genesíaco… algo, apesar de tudo, maternal.
(Peço desculpa se o que acabo de escrever não passa de desconchavo, mas é sentido.)

7.7.18

Trata-se de sobreviver

Neste interminável ficheiro de autores e respetivas obras, surge-me  o amigo e poeta Silva Carvalho. 
Desta vez, folheio o livro "Ao Acaso" (1986), suspendo o registo, e vou lendo algumas das 300 oitavas, pensando que o Poeta merecia melhor sorte, isto é, merece ser lido e discutido…
e de súbito fixo-me em três versos:

      Trata-se de sobreviver, não de sentir ida
      a memória por algum desejo ou desperdício.
      Sentir, sabe-o bem, é o maior e árduo vício.

Afinal, é isso: trata-se de sobreviver, liberto da (in)voluntária memória - duplo fardo, na ausência e na presença - e, sobretudo, de evitar o sentir, porque este prende, aliena, queima a energia que ainda resta...

6.7.18

Uma classe esgotada

exaustão emocionalMais de 60% dos professores portugueses sofrem de exaustão emocional, provocada por causas como a excessiva burocracia e a indisciplina dos alunos, revela um estudo nacional com base em mais de 15 mil respostas de docentes.

Estou há tanto tempo no sistema que a conclusão não me surpreende em nada. Basta entrar numa sala de professores e ouvi-los…
Na verdade, as causas do cansaço são antigas. A diferença entre o passado e o presente reside no modo como na última década a classe política desclassificou os professores… e mais não é preciso dizer: todos sabem porquê e como… 
Uma classe política medíocre e, em muitos casos, analfabeta - culpa dos professores que os deixaram transitar...

5.7.18

Pensar aqui, para quê?

«Penser, c'est avant tout vouloir créer un monde (ou limiter le sien, ce qui revient au même).»                        Albert Camus, La Création Absurde 

Criar um mundo aqui, para quê? 
O que sei é que o simples registo daqueles que encontrei é inviável, primeiramente porque a memória pessoal se foi debilitando, talvez porque no momento certo faltou o tempo; depois porque o outro pode não sentir qualquer necessidade de integrar o mundo a preservar…
Ainda se escrevesse um romance, poderia limitar esse mundo às relações de antipatia e de simpatia, mas se no momento certo faltou o tempo, a única saída seria dificílima porque as personagens nunca chegariam a ter relevo, consistência, uma ideia - não passariam de traços inconsistentes, absurdos…
Pensar aqui, para quê?
Apenas, para dizer ao Tempo que estamos aqui  e que, apesar de sós,  não estamos sozinhos na sua companhia...

4.7.18

A alma caridosa

 A folha de Excel contraída numa página impressa.
(A vista cansada.)
- Vamos lá conferir as classificações das provas com os dados impressos! 
- Mas como se os não consigo ler?
Entretanto, uma alma caridosa decidiu que o melhor era fazer de mim. Deu tudo certo, felizmente!

Na 2ª fase, estarei de regresso, certamente, um pouco mais míope. Que importa desde que conte com a benevolência de nova alma!

Ontem, em silêncio paciente

Andei tão ocupado que não registei nada, não porque não houvesse nada para contar, mas por falta de tempo. Porém, a verdade é que estive mais de quatro horas à espera… em silêncio paciente, a beber água, só água com uma mistura intragável, para depois ser sondado do pescoço aos pés por umas criaturas brancas que se faziam de cordeirinhos mas não tinham nada de angélico…
Claro, histórias não faltariam se ainda valesse a pena contá-las, como a da velhinha incontinente, duplamente, que insistia na sua narrativa, independentemente do interlocutor a compreender ou não… ou até na ausência dele.

2.7.18

Que importa?

Que importa o lugar, só o tempo me foge!
Só hoje já estive numa dezena de lugares, sempre com uma preocupação: chegar a tempo, cumprir um prazo...
Mesmo no momento em que registo este pensamento, lastimo que a pressa me tenha feito esquecer do livro que tencionava continuar a ler, aproveitando a pausa forçada...
Só o tempo me foge!

1.7.18

No país das equivalências

Por paradoxal que possa parecer, cada vez fujo mais da opinião, até porque ter uma opinião implica partilhá-la.  Pressupõe pôr-se de acordo, tomar como sua uma ideia alheia… que, no íntimo, não se quer coletiva, porque o que queremos é impor a verdade, que enunciamos majestaticamente como nossa…
Por absurdo que possa parecer, estou há dias a ler textos de opinião em que o examinado é convidado a defender "numa perspetiva pessoal (…) o poder das palavras nas relações humanas."
Estou para aqui a fingir que a "opinião" e a "perspectiva pessoal" se equivalem, mas não consigo aceitar tal equivalência...

30.6.18

Anja Flach em Portugal

Em Coimbra, 30.06.2018
Ontem, na sede do MAS, em Lisboa, Anja Flach procurou convencer o auditório (pequeno) de que a resistência curda é, no essencial, um movimento de libertação comunitário, em que os membros, em grande parte mulheres oprimidas, tentam construir uma alternativa à sociedade patriarcal, capitalista - predadora...
As ferramentas de que dispõem são escassas, mas, se preservado o território comunitário*, parece possível combater, através do trabalho manual e da educação, a resignação milenar, devolvendo alguma da felicidade há muito perdida… 
A utopia curda enraíza-se num tempo anterior ao império otomano e a todos os colonialismos de que foram e são vítimas, por isso tem poucos aliados, porque na verdade não existe um território curdo, mas, sim, ilhéus em que os valores se vão diferenciando de acordo com os contactos a que se veem obrigados… 
A utopia curda continua, no entanto, cercada por poderosos interesses que visam a apropriação e a partilha do Médio Oriente e que não olharão a meios para a esmagar, até para que não sirva de exemplo a outras comunidades esquecidas…
Em Portugal, o que se sabe sobre os povos curdos é infelizmente residual, até porque a diretriz curda não passa obrigatoriamente pela construção de um Estado, como, por exemplo, o turco… 
Nós, por aqui, amamos o Estado e estamos convencidos de que ele só pensa em nós…

* o que explica a luta armada em que as mulheres têm um papel importante, tal como aconteceu durante dois anos com Anja Flach...
Lisboa, MAS, 29.06.2018

29.6.18

Manuel C. Gomes shared 1 photo with you

Manuel C. Gomes: Por vezes, apetece seguir o exemplo do "voador" e não o do padre... 
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O rolo compressor

Nos últimos dias, o rolo compressor das perguntas e das respostas tudo tem feito para justificar o injustificável, para esmagar a nulidade do processo de aprendizagem.
Estou no ponto em que as evidências deixam de ser evidentes.
Há, porém, umas tantas que eu não vou conseguir esconder debaixo do alcatrão...

28.6.18

Em bicos dos pés

O presidente Marcelo não resistiu! E lá deu uma lição ao presidente dos Estados Unidos - imaginou-se Vasco da Gama perante o rei de Melinde! - dando-lhe conta da grandeza da obra portuguesa no seu máximo esplendor atual expresso no número de emigrantes e na grandeza do Cristiano Ronaldo…
Fê-lo com ironia para que os portugueses entendam a nossa superioridade inteletual, fazendo crer que o presidente Trump não entenderia a saloiice da conversa … e nós aplaudimos com a bênção de Putim…

27.6.18

Uma maçada!

São tantas as palavras!
Correm sonsas e desarticuladas… 
As palavras, bem queria que fossem ingénuas, inocentes, primitivas…
Nada disso: nem sequer matreiras, mentirosas, brejeiras...
As palavras surgem ocas, disparatadas… 
- expressão de uma idiotia coletiva nutrida de presunção e água-benta.

(Já me esquecia: a Prova de Literatura Portuguesa era de fácil resolução desde que o examinando compreendesse a língua de Garrett e de Agustina Bessa-Luís!)

26.6.18

No caso da greve dos professores, só falta o vídeo-árbitro!

“Tal como solicitado pelo Ministério da Educação, o Colégio Arbitral deliberou, por unanimidade, que os conselhos de turma relativos aos 9.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade devem realizar-se até à data limite de 05 de julho, a fim de emitirem a avaliação interna final."Serviços mínimos

Comentários para quê? A verdade é que, neste século, os professores têm sido os bombos da festa. Diga-se o que se disser: ser professor tornou-se uma profissão desgastante, desrespeitada, desautorizada e mal remunerada, sobretudo para todos aqueles que, nos últimos, foram impedidos de progredir na carreira… ao contrário do que é apregoado por comentadores encartados na defesa de interesses privados.

Nota: Em vez de vídeo-árbitro, o cardeal ameaça com a solicitação de aclaração da decisão.

25.6.18

O programa chama-lhe 'educação literária'

«A capacidade de o cidadão se situar no mundo depende, em parte, da sua relação com a obra literária. O programa chama-lhe "educação literária"...» 

Ao contrário do que escrevi no dia 19 de junho, o exame de Português do Ensino Secundário testa minimamente a relação do aluno do 12 º Ano com a obra literária. A minha baixa espectativa gorou-se…
Há, todavia, um problema: a educação literária parece não estar a ter sucesso, pois, pela evidência recolhida, poucos são aqueles que leem as obras e que, se o fazem, lhes entendem a mensagem…
É um pouco como se os deserdados se obstinassem em desistir!

24.6.18

Simplesmente, cretino

Cretino é o adjetivo que serve para designar um indivíduo que tem uma incapacidade mental; serve para designar quem não tem muita inteligência - o idiota; serve para designar uma pessoa manipuladora, capaz de prejudicar os outros, mesmo que sejam seus amigos, que infringe todos os padrões de dignidade…

Para memória futura

BdC: "Um conjunto de cretinos viciou resultados. Não quero fazer parte de uma elite mal cheirosa. Deixei de ser sócio e adepto do Sporting."

Apesar de tudo, BdC soube escolher o adjetivo. O problema está no objeto…
Em setembro, não me vou esquecer desta 'pérola' para treinar a técnica do retrato.

23.6.18

O desmaio

«O desmaio de Marcelo Rebelo de Sousa ocorreu às 12:48 durante uma visita ao Santuário.»

O Presidente da República desmaia e deixa de ser notícia. Afinal, o futuro do Bruno de Carvalho é bem mais importante…
Diz o Professor que se tratou de uma gastroenterite aguda. Será? E o médico do Presidente, o que é que não diz?

22.6.18

Pausa


Por momentos, saí da sala do risco, e fui à procura do sujeito e do complemento direto.
Só encontrei flores!
(Já estou de regresso…)

21.6.18

Na sala do risco

Até 4 de julho, encontram-me na sala do risco… que só pode ser vermelho. Ainda não especificaram o matiz… Lá chegaremos à graduação da cor.
Por favor, não me perguntem porquê.

19.6.18

Sobre o exame de Português de 2018

Devo relembrar, nesta data, ( e não é a atormentada 6ª feira de Madalena, no "Frei Luís de Sousa"!) o que escrevi neste blogue, sob o título O ÚLTIMO PROFETA, em 19.01.2018, 6 meses antes do exame:

«Se a imaginação e o mistério não estão connosco, não vale a pena escrever.» Maria Ondina Braga entrevistada por Mário Santos, Público, 9.12.1995

Foi certamente essa certeza que alimentou Fernando Pessoa ao escrever MENSAGEM!
Perante o desconchavo a que Portugal chegara, na ausência de feitos que pudesse imortalizar, Pessoa optou por imaginar um futuro que, de algum modo, fosse capaz de despertar os portugueses coevos da modorra em que jaziam.
Esqueceu a História e atirou-se ao Mito e, pelo caminho, assumiu o papel de último profeta do Quinto Império, procurando devolver a esperança e a vontade necessárias ao Sonho, sem o qual o Senhor acabaria por esquecer o povo eleito que unira o Mar, mas que não soubera preservar o Império... 
O último profeta (Screvo meu livro à beira-mágoa), mais do que a voz do Senhor, surge como seu interpelante, procurando, assim, que o último fôlego da Humanidade seja obra de Portugal - o verdadeiro herói de MENSAGEM. 

(Este pequena reflexão foi feita a pensar nos meus alunos que, inteligentemente, a não leram…)

Sobre a prova de exame de Português 2018, prefiro, desta vez, não tecer comentários, a não ser levantar uma pequeníssima questão:

Até parece que a relação de interlocução tem início no sétimo verso do poema… /Mas quando quererás voltar?/ Não teria sido mais inteligente ter solicitado quais são os termos dessa relação no poema e na Terceira Parte de MENSAGEM?
(…) /Tenho meus olhos quentes de água. / Só tu, Senhor, me dás viver. // te sentir  e te sentir pensar / Meus dias vácuos enche doura. /

Daqui a uma hora... Prova 639

Daqui a pouco, começa o exame nacional de Português - 12º Ano. A minha expectativa é baixa: elaborar uma prova, que não revele publicamente a mediocridade a que chegámos, é tarefa difícil.
Há, no entanto, um aspeto que espero ver consagrado nesta prova de exame: o contributo da disciplina para o fomento da consciência literária, importante vector da cidadania. 
A capacidade de o cidadão se situar no mundo depende, em parte, da sua relação com a obra literária. O programa chama-lhe "educação literária"...
Temo que a "educação literária", pelas perguntas que me foram colocadas nos últimos dias, acabe por não ser aferida. 
Por exemplo, foi me perguntado "se valia mesmo a pena ler as obras de leitura obrigatória dos últimos três anos" ou se "Carlos da Maia teria sido influenciado pelo Ano da Morte de Ricardo Reis"...

18.6.18

Os professores e as circunstâncias extraordinárias

No caso dos professores, os factos são claros. Primeiro facto: o Governo prometeu e agora vem dizer que não pode cumprir. Segundo facto: o prometido é devido, ou como diz o primeiro-ministro António Costa, palavra dada, palavra honrada”, afirmou. Para o líder parlamentar do PSD “só circunstâncias extraordinárias podem justificar que assim não seja”. (Fernando Negrão) Cinismo político

Cavaco de cínico: Para quê pedir mais sacrifícios aos professores?

Afinal, para o ano há eleições. Com o PSD vencedor e partido do Governo, o degelo será total: atualização salarial, progressão na carreira, redução do horário de trabalho, reforma antecipada sem penalização, diminuição do número de alunos por turma, formação de professores, modernização de equipamentos, nada irá faltar!
É só um pouco mais de paciência… a não ser que da toca voltem a saltar «as circunstâncias extraordinárias»…

(atualização)
O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, acredita que o país não está em condições para pagar aos professores todo o tempo de serviço congelado. Clarificação

Afinal, os professores não podem esperar pelo PSD!

17.6.18

O pensamento crítico ainda não chegou ao fim

O antropólogo britânico Jack Goody explica na sua obra “Domesticação do Pensamento Selvagem” que o pensamento crítico só é possível quando conseguimos ler um texto duas vezes e repensar o que lemos para podermos distinguir entre o bem e o mal, entre verdade e mentira. Quando o processo de comunicação se torna vertiginoso, assente em multicamadas e extremamente agressivo, deixamos de ter tempo material para pensarmos de uma forma emocional e racional. Ou seja, o pensamento crítico morreu! ( Franco Berardi) O pensamento crítico 

Toda a entrevista do filósofo italiano dá que pensar, mas o que em mim tem mais impacto é «a ideia de que o pensamento crítico morreu», não pelo facto em si, mas por uma razão elementar - deixámos de ler devagar. Isto é, deixámos de ler várias vezes, de procurar interpretar, distinguir o trigo do joio…
Esta razão primeira é aquela que eu sempre considerei como estratégica para quem tem a missão de ensinar a ler / ensinar a aprender a ler, correndo o risco de ser enfadonho e retrógrado…A vertigem comunicacional é, por seu turno, a maior das formas de alienação capitalista atual…
E ler, saber ler, é o trampolim para o combate, mesmo daqueles que preferem o imobilismo. 
É certamente por isso que no tempo de que disponho, vou continuar a insistir na leitura literária e filosófica, apesar da escolástica jesuítica...

16.6.18

O meu campo é o tempo

«L'absurde ne délivre pas, il lie. Il n'autorise pas tous les actes. Tout est permis ne signifie pas que rien n'est défendu.» Albert Camus, L´homme absurde.

Nascido e criado num mundo essencialista, levei algum tempo a rejeitá-lo. A dado momento, atraído pela visão existencialista sartriana, vulgarizada, em termos literários e ensaísticos, por Vergílio Ferreira, caí num niilismo que me provocava calafrios, pois, apesar de tudo, para mim, a liberdade não poderia ser absoluta pelo mal que traria ao Outro, ao Cosmos, ao futuro de ambos…
A necessidade de negar o determinismo conduziu-me a um princípio enunciado por Goethe: «o meu campo é o tempo.» Dito de outro modo, fiz minha a ideia de que sou o meu tempo, nem o anterior nem o ulterior, o que não significa amputar e rejeitar as raízes nem alhear-me das consequências dos meus atos.
Esta consciência da situação em que encontro ajuda-me a separar o trigo do joio numa época em que a morte do Outro se tornou num vulgar gesto instantâneo...

15.6.18

Triste vida!

Não costumo falar de futebol, sinto-me enjoado sempre que ligo a televisão e verifico que o Estado nada faz para acabar com as máfias que vivem do futebol, cansa-me que se desperdicem dias inteiros em torno de jogos que duram pouco mais de 90 minutos, mas vejo-me obrigado a reconhecer que dum jogo pode depender a felicidade dos povos - triste vida!
Talvez seja por isso que, hoje, horas antes de Cristiano Ronaldo entrar em campo, no Portugal-Espanha, a notícia seja:
Cristiano Ronaldo está disposto a pagar 18,8 milhões de euros ao fisco e aceita dois anos de pensa suspensa, após reconhecer quatro delitos fiscais de que foi acusado, avança o jornal espanhol El Mundo. CR7 delinquente

Entretanto, como pode acontecer que algum aluno do 12º ano ainda esteja a empanturrar-se do costumeiro paleio vendido pela máfia das editoras, relembro que, na disciplina de Português, o fundamental é compreender, interpretar e redigir respostas adequadas às perguntas, se possível num registo de língua cuidado.
Como proposta de atividade de rememoração, capaz de satisfazer todos os requisitos mencionados, deixo, aqui, um poema de Manuel Alegre: 

Fernando Pessoa

Vem ver agora o meu país que já
não tem Camões nem Índias para achar
só tem Pessoa e o império que não há
sentado à mesa como em alto mar.

A viagem que faz é só por dentro
e escreviver-se a única aventura.
No pensamento é que lhe dá o vento
ele é sozinho uma literatura.

Eis a vida vidinha cega e surda
ditadura do não do só do pouco.
Ser homem (diz Pessoa) é ser-se louco.

Heterónimo de si na hora absurda
Viajando no sentir escreve sentado.
E é Pessoa: “futuro do passado”.
Manuel Alegre, Sonetos do Obscuro quê (1993)

14.6.18

A flor de tília da árvore do centenário

A árvore do centenário vingou. Oferece-nos a flor para que possamos preparar uma infusão que  acalme os  alunos, agora que os exames vão começar, e que alivie os professores da tosse seca típica de um ano de promessas ministeriais por cumprir...

13.6.18

Borboletas invisíveis II


Estas foram capturadas em Cabeço de Vide, junto às Termas Sulfúreas… 
O pronome parece não ter antecedente, o que é grave, pois, por definição ele substitui um nome.
A verdade é que estas borboletas existem, mas para mim tornaram-se mais invisíveis do que eu próprio.
O mesmo acontece com a água da piscina (tanque?) fluvial. Passa ali um fio água, que se perde pelas fendas  e se evapora quando o calor se intensifica…

E quanto ao cheiro a enxofre, o meu olfato nada me disse, talvez por ter perdido o /c/.

12.6.18

E nem uma palavra!

Só a vitrine separa o olhar da realidade numérica. Tudo parece claro, legível… e nem uma palavra! Talvez a luz tenha anoitecido e o sol se tenha eclipsado.
A própria Fortuna terá desertado, ciente de que nada pode fazer. Deixá-los sonhar!

11.6.18

Ipsos germanos indigenas

Ipsos Germanos indigenas crididerim minimeque aliarum gentium adventibus et hospitiis mixtosCornelii Taciti, De origine et situ Germanorum


 ( Acredito que os germanos são naturais da própria terra e nunca se misturaram com povos de outras regiões…)

A razão de tal isolamento atribui-a Tácito à dureza da terra e à severidade do clima e não a qualquer preconceito de sangue…
Pode ter sido assim em tempos remotos, mas, nos últimos séculos, tudo mudou, infelizmente.

Obras de milhões no Camões

Liceu Camões vai receber obras de milhões Que belo título!
A notícia há muito esperada, mas o título surge envenenado:

O concurso internacional para as obras no Liceu Camões, em Lisboa, que espera há anos por uma intervenção, vai avançar até ao final do mês e envolve um investimento de 12,46 milhões de euros, segundo o Ministério da Educação.

Apesar de tudo, esperemos que a obra não encalhe nas manobras da geringonça...

10.6.18

Recanto

Jardim da Gulbenkian
«Je veux savoir si je puis vivre avec ce que je sais et avec cela seulement. (…) Je veux seulement me tenir dans ce chemin moyen où l'intelligence peut rester claire.» Albert Camus, Le suicide philosophique.

A formulação tranquiliza, mas a verdade é bem mais cruel: vou ter que viver com o que nunca chegarei a saber, desejando que a inteligência me ajude a encontrar os recantos mais aprazíveis, onde possa afastar-me da prepotência da tirania das horas e dos ditadores do momento...

9.6.18

Portugal fora da rota angolana

Se alguma coisa ficou demonstrada pela viagem de Estado do Presidente angolano à Europa, que passou também por Espanha, embora aqui a título não oficial, é que na nova era da política externa angolana Portugal não estará no epicentro. Portugal não é importante para Angola

Angola precisa de capital, de investimento.
Portugal precisa de exportar "trabalhadores", uns mais classificados do que outros, é verdade. Mas será que chega? 
Não. Sem capital, não há investimento, não há trabalho.
O que falta a Portugal é capital. Porquê? 
Porque uma boa parte dos recursos financeiros tem sido desviada para alimentar o hedonismo das novas elites portugueses e angolanas…
Porque, apesar do que se propagandeia, a cultura lusófona mais não é do que propriedade de uns tantos literatos bem instalados…
Porque é difícil libertarmo-nos da ideia imperial de uma variante europeia normativa da língua portuguesa.
Porque na era da globalização, não é assim tão difícil mudar a língua oficial - o inglês é a língua do capital. Ou será que há outra?
Porque, no passado, não soubemos tratar os povos angolanos como "iguais" e, no presente, não nos conseguimos libertar de múltiplos preconceitos que não é necessário enunciar.