19.2.19

Não por acaso

Não por acaso, mas porque alguém clicou no post "Recompensa" /Caruma 2008, volto a lê-lo e dou-me conta de que por lá continua um comentário «anónimo» maldizente… Maldizer, outrora, era um ato responsável em que se dava a cara… 
Hoje há cada vez mais irresponsáveis que tudo denigrem, escondendo-se nas redes sociais, em palavras de vãos de escada…Não por acaso, os rostos fecham-se, as palavras escasseiam… 
Há, no entanto, que reconhecer que, em 2019, os sinais de humildade não se extinguiram e, de nenhum modo são expressão de indiferença ou de desconsideração pelo outro…

18.2.19

De inteligência artificial não percebo nada

Sejamos claros, de inteligência artificial, não percebo nada. E também não entendo nada de algoritmos. Esta minha ignorância parece fazer de mim uma mosca morta num mundo em que qualquer 'curiosidade' me devassa os dias, pois de imediato sou convidado a viajar, comprar, solidarizar-me, apostar… Tudo porque ela está aqui, à espreita, sob a forma de algoritmos invisíveis capazes de gerir os meus sentidos e, sobretudo, a minha inteligência…
Eu, já velho, deixo de ser Eu… e aqueles jovens, ali à minha frente, nunca chegarão a sê-Lo, apesar de ser dos poucos pronomes que repetem a todo o momento… 
Para mim, a situação não é nova - durante milénios só o soberano proclamava o Eu…
Hoje de manhã, por momentos, quase me convenceram que  contra a inteligência artificial, na melhor das hipóteses, só me seria permitido empatar. Afinal, aquela virtualidade, antropomórfica ou não, tem uma capacidade de processar dados insuperável por qualquer ser humano… 
E foi aí que reagi:  o conhecimento é bem mais que o resultado do processamento de todas as informações (dados) sobre um objeto. 
O que me leva a pensar que, no meu caso pessoal, vou ter de travar uma última batalha  contra milhares de algoritmos que não deixarão me assediar permanentemente.
(Resposta a um jovem que me perguntou se eu estava a gostar da palestra 'Desafiar o Futuro - Computação e Inteligência Artificial', por  Paulo Novais)  

17.2.19

Antes que eu comece a evocar o Jazas

O problema manifesto resulta da falta de articulação frásica ou outra. Dito deste modo pode parecer que se optou por eliminá-la, mas não é isso… O que ganha visibilidade é um fluxo contínuo, um débito espontâneo, de noções controversas. O que pesa é que, no papel, o débito serpenteia sem qualquer tipo de racionalidade…
O suporte é também ele uma vítima de um problema latente que resulta do mau funcionamento das sinapses - o problema é cada vez mais neurológico.
Ora como eu lido com representações materiais e, por mais que faça, não consigo resolver o problema latente, nem de nada me serve recorrer aos sociólogos e psicólogos da educação, creio que a melhor solução é criar um gabinete de neurologia em cada organização, começando pela Escola… antes que eu comece a evocar o Jazas
Não sabem quem  é o Jazas? Até há dois dias, eu ficava-me por uma forma do verbo jazer...

16.2.19

Não vou analisar o Ranking

Desta vez, não vou analisar o Ranking. A verdade é que mesmo que quisesse, já não consigo descortinar os gráficos do Público… E não é apenas por culpa da miopia e do estigmatismo…

Há anos que valorizamos a informação em detrimento do conhecimento, que valorizamos os direitos em detrimento dos deveres, que valorizamos a acomodação em detrimento do trabalho, que substituimos a formação pela encenação… que a Escola foi tomada por um conjunto de atores menores, sempre prontos a privilegiar o acessório…
E não me digam que a responsabilidade é dos alunos. Não foram eles que geraram o pântano.

(O momento é solene, mas não vale um chavo, apesar do muito dinheiro que se ganha à custa dele.)

Perder o hábito

Accusé d’abus sexuels, l’ex-cardinal McCarrick défroqué par le Vatican, une première… Lá longe
Por aqui, silêncio absoluto. Pedófilos, abusadores… nem pensar!
Não sei é se basta devolver o cardeal à vida laica sem cumprir pena pelas crimes cometidos… Pelo que consta, o cardeal, aos 88 anos, continua a viver em paz num mosteiro…

Em Portugal, anda à solta muito boa gente laica que, não podendo ser despojada da sua laicidade, deveria ser colocada atrás das grades por longo tempo. Estou a referir-me à chusma de colarinhos brancos que continua a desfrutar dos dias principescamente.

15.2.19

Devo evitar a crónica

Se eu quiser escrever sobre o estado congestionado em que me encontro, devo evitar a 'crónica' porque, por estes dias, este registo procura anular a duração, e o que eu tenho para confessar é que há horas em que não se está bem em lado nenhum.
Não fossem os ossos doridos, os espirros e o corrimento nasal descontrolado, talvez pudesse evitar a expressão corriqueira da fragilidade pessoal - a crónica exige que a fragilidade seja humana!
Por mim, o género nasceu da «ordenação de estórias» com o objetivo de legitimar uma escolha política ao gosto do baixo clero, da nobreza calaceira, de uma burguesia ávida de futuros  pardaus e de uma arraia-miúda destrambelhada…
Nunca a crónica poderia dar conta do momento em que me informam "A consulta foi-se. A médica fartou-se. Abandonou o consultório, sem explicação razoável…"
A verdade é que não fiquei surpreendido, pois já me apercebera que os endocrinologistas andam quase sempre zangados e, no caso, o que eu precisava era de um médico de clínica geral… Talvez por isso tenha dito à rececionista: Olhe, quando a doutora tiver acertado o doseamento, ela que diga em que dia é que me recebe…

14.2.19

Procuro remendar

Procuro remendar, mas desconsigo. Voltar?
(O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita…)
O retorno é tão cansativo como assustadora é a reencarnação...
Não encontro Valentim que queira apadrinhar esta língua adulterada…
Escondo-me aqui à espera que o Imperador adormeça…
Talvez pudesse soltar-me destas grilhetas e regressar às galhetas. Para quê?
Vou regressar ao desalinho da criada empoeirada e desgrenhada.