20.8.17

Porto de abrigo

Aqui, na Praia da Azenha do Mar, não há areia. No entanto, vale a pena o fim do caminho. Por isso, ofereço-vos este "porto de abrigo" das embarcações.
Quanto ao resto, eu, que nem gosto de calor, lá passei 3 horas na afamada Zambujeira do Mar a tentar reler O Ano da Morte de Ricardo Reis, o que não é fácil, pois naquele romance não para de chover e de ventar.
E comigo vai ficando a ideia de que é precisa muita paciência para seguir o "badameco" do José Saramago.
«Nos dias seguintes Ricardo Reis pôs-se à procura de casa. Saía de manhã, regressava à noite, almoçava e jantava fora do hotel, serviam-lhe de badameco as páginas de anúncios do Diário de Notícias...»
Falta, talvez, acrescentar o óbvio: a praia foi enchendo tal como a maré, mas o português não desiste... e o espanhol, o francês...

19.8.17

E sujeito-me...

Balde tem. Ainda não verifiquei se a cisterna tem água.
Asiáticos não faltam! Indianos? Paquistaneses? Indus? Muçulmanos? Vá lá saber-se!
Ocupados a pôr os motores em marcha... e parece que sabem da poda...
Eu por mim, observo.
E sujeito-me, mesmo sendo europeu...

17.8.17

Por dever de ofício

Por dever de ofício, decidi reler O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago. Neste caso, melhor será dizer ler, pois até parece que nunca li tal romance. De qualquer modo, o exemplar, já quebrado, que possuo corresponde à 3ª edição,  e foi me oferecido pelo Manuel Duarte Luís, amigo da década de 80..., como se os amigos pudessem ser datados e se calhar podem, pelo menos enquanto os não esquecemos...
Tê-lo-ei lido nessa época e certamente não terei perdido a oportunidade de o mencionar e de o recomendar aos meus alunos de Teoria da Literatura... (Eles saberão melhor do que eu a importância que atribuiria ao modo como Saramago recriava tempos e individualidades, fictícias ou não...
Agora que me obrigo a reler a obra, confirmo que a minha memória terá sofrido grande abalo nos últimos 20 anos, mas interrogo-me se esta leitura escolhida para os atuais alunos do 12º ano é a mais adequada...
Este romance requer um leitor paciente, verdadeiramente interessado em compreender o território, a situação política, cultural e socio-económica dos anos 30 e, sobretudo, capaz de lidar com um narrador, cujo humor é corrosivo. Já nem me refiro à ironia e a uma intertextualidade, muitas vezes, anacrónica para a atual geração...

16.8.17

Anfibologia descarada

Anfibologia: ambiguidade; duplo sentido de uma frase...


É a Justiça que é suspeita? Se fosse verdade, qual é o referente? O Ministério Público? Os Tribunais?

Quem é que suspeita? A Justiça? (Em abstrato?)

Velha PT? Quando é que a Senhora rejuvenesceu? Mas ainda existe?

Afinal, onde é que está a notícia?

15.8.17

A origem da tragédia nacional

Em primeiro lugar, a ignorância. Em segundo lugar, a ganância. Finalmente, a incompetência.
De forma abreviada, é esta a resposta para tanto desastre. 
Neste cenário, estamos a ser governados por incompetentes gananciosos que abusam da ignorância das populações rurais e urbanas e que, também, elas sonham vencer a vida a qualquer custo...
Por isso há tantos candidatos ao exercício do poder local e central. Infelizmente, falta-lhes quase tudo - em primeiro lugar, a sabedoria; em segundo lugar, o despojamento; finalmente, a competência...

Se o rio vai seco, espera-se que a chuva caia...
Se o mato arde, espera-se que chova e que a vegetação não volte a crescer...
Se as árvores escondem o vazio que as mata, espera-se que não tombem quando a festa decorre...
Se morre tanta gente, espera-se que o Senhor a acolha e a proteja dos fogos letais...

Agora até temos um Presidente que gasta os dias a correr para os cemitérios, como se tivesse sido contratado como carpideira...
  

14.8.17

O mal da escrita no reino do compadrio

(Este romancista ( o Poeta) bem tenta que o leitor lhe envie um sinal, mas sem o menor sucesso...)

O demónio que me aterrorizava, quando na minha horta substituía o pai que partira para os bidonvilles parisienses, não estava certamente à altura dos patrões franceses que humilharam o António quando este procurava viver com alguma dignidade o exílio a que se vira forçado por uma ditadura que condenava os seus filhos a uma morte precoce...
Talvez seja por isso que não encontro, em Palingenesiao pai do (autor) Silva Carvalho - a figura do pai surge diluída na figura do tirano, que tanto pode ser patrão, como seu substituto num universo capitalista nojento... (O leitor toma, no entanto, conhecimento que os pais lhe pagaram as propinas durante dois anos e o visitaram em Paris.)
Este autor ou, melhor, este homem que sonhava não ser pai, mas mãe, porque a mulher é a verdadeira criadora... e talvez seja por isso que a descoberta da sexualidade, à medida que o romance evolui, se torna mais humana, mais relacional, menos demoníaca... Este autor, afinal, só procura o diálogo...
Silva Carvalho escreve este romance não apenas para recriar o espírito da época, submetendo-o a uma abordagem diferente - o mal da escrita:

« O essencial, contudo, não me parece que seja escrever direitinho, mas, pelo contrário, aceitar o mal da escrita para que ela nos possa revelar o que a trabalha e assim nos acalenta, de uma forma ou de outra.»  op.cit, pág,238.

Terminada a leitura deste romance, espero ainda cumprir o reiterado desejo do Silva Carvalho:

«Lembrem-se, a intenção deste livro era chamar a atenção sobre a minha obra poética, onde penso que atingi a qualidade não só de obra mas também a de destino, como mais lídima manifestação do que ainda se chama de cultura.» op.cit. pág. 143.

12.8.17

A minha horta

A horta
Espero que o proprietário atual do terreno não se aborreça com esta foto.
Registo-a, aqui, apenas como testemunho de um dos lugares onde comecei a trabalhar com cerca de 4/5 anos - a horta, situada na "Ingueira", na encruzilhada do Carvalhal do Pombo com  o Cabeço Soudo e a Rexaldia.
Desse tempo, resta a nora, que puxada por uma burra, me garantia a água necessária à rega diária.
A horta, hoje, é pequeníssima, se comparada com a daquele tempo, que estaria melhor organizada e me dava um trabalho dos diabos. Lembro que, para além das batateiras, dos tomateiros, dos feijoeiros, das aboboreiras, da beterraba, das couves de vários tipos, das alfaces, das cenouras, também lá havia três ou quatro laranjeiras e que, ao lado, corria a ribeira que assegurava a água do poço...
Embora o trabalho não fosse remunerado, a não ser com o almoço e o jantar, alguma roupa e um par de sapatos de tempos a tempos, creio que a Geringonça não deveria deixar de fora os pequenos trabalhadores, cuja atividade teve início mal começaram a andar... 

11.8.17

A coisa e a imagem


Praia do Atlântico - Troia
O que eu vi não é o que a foto mostra. Tudo estava no devido lugar. A luz intensa tostava e o azul era límpido. Apesar do bar estar abandonado, nada se me afigurou tão cinzento. Será que a ausência daquele equipamento, numa praia com bandeira azul, contaminou tudo à volta?

10.8.17

Ficar em silêncio

Sempre que as férias se aproximam, decido continuar a catalogação e o registo de publicações acumuladas. Não sei bem para quê, embora lá no íntimo acredite que, assim, estarei a facilitar a vida a quem quiser desfazer-se de tal acervo...
Por outro lado, desconfio que a tarefa tem uma outra motivação: folhear ou voltar a rememorar todo um conjunto de existências que, doutro modo, não me questionariam a não ser pela acumulação de pó e do horrendo bicho do papel - o lepisma saccharina...
Este procedimento tem, no entanto, um custo: em vez de avançar na tarefa, perco-me na leitura breve de cada livro, de cada revista..., fazendo esperar as leituras que tenho em curso e em projeto, como acontece com a Palingenesia,  com Sursis e com No Ano da Morte de Ricardo Reis - o primeiro para pagar a dívida ao (António) Silva Carvalho, o segundo para completar a leitura da trilogia de Jean-Paul Sartre (Les Chemins de la Liberté) e o terceiro, por obrigação profissional, pois a leitura que dele fiz já se escapuliu da minha fraca memória...
(Lembro-me agora que ainda hoje pensei que o Silva Carvalho bem poderia recuperar o 'António' para se diferenciar definitivamente do Armando... Espero que este apagamento da identidade não resulte de nenhum trauma com origem no velho 'estado novo')...
O que não se entenderá é por que motivo, tendo dado a esta postagem o título "Ficar em silêncio", não me calo. A razão é simples, é porque tenho aqui ao lado um livrinho intitulado Elogio do Silêncio, de Marc de Smedt, e não resisti a folheá-lo, tendo, de imediato, poisado os olhos na afirmação de que o "silence" surgiu na língua francesa (?) em 1190, descendendo do latim SILENTIUM, com a particularidade de "ser o único substantivo masculino que acaba em ence, en francês..."
Ora, digam lá se o melhor não seria eu ficar em silêncio, pelo menos, nas férias!

9.8.17

A única ficção - (António) Silva Carvalho

«A única ficção que me atrai é a realidade.» Silva Carvalho, Palingenesia ou o estado e o processo do romance, pág.116, Fenda, 1999

Neste caso, por mais que o Autor se queixe de não estar suficientemente preparado para construir o romance segundo as leis do género - muito permissivo, diga-se -, como leitor, o que me interessa é o próprio Silva Carvalho..., pois na obra encontro muito do que da sua própria boca, em tempos anteriores à escrita, ouvi...
No romance, o homem ganha coerência. E, por outro lado, a História daquela época recupera uma dimensão bem distinta da que habitualmente é transmitida pelos "filhos-família" que se autoexilaram em Paris, no Bairro Latino...
Ao ler, tão tarde, este romance, compreendo melhor o sofrimento daquele que, desde cedo, percebeu que a ideologia mais não é do que uma forma de opressão... e que, até hoje, se manteve distante e discreto, embora, lá no fundo, acredite que o tempo se encarregará de lhe reconhecer o caminho...
O problema é que a realidade vive refém da memória, sendo muitas vezes difícil revivê-la sem recurso à imaginação, à ficção.

8.8.17

Promo internet. A MEO abusa do cliente

Acabo de receber da MEO a seguinte mensagem: «PROMO INTERNET: o seu pedido de desativação foi recebido com sucesso. Obrigado.»

A MEO é simpática! Sempre pronta a premiar o cliente...

Resolveu premiar-me com dois gigas até 31 de Agosto. Ativou-os em todos os cartões da meu pacote MEO. Não me pediu autorização para o fazer! Mas informa que, a partir de 1 de setembro, o cliente passa a pagar mais 3,98 euros, a não ser que ligue para o nº 800200023, a pedir a desativação...

 Obrigado a pedir a desativação de um produto que não solicitei!

7.8.17

O calão, em qualquer contexto

Dois idosos cavaqueiam junto a um quiosque, quando, de súbito, um deles exclama: - Olha quem ali vai! Um cabrão, por acaso, bastante simpático.
Fico sem saber qual o significado do termo "cabrão" naquele contexto, mas recordo que, desde a minha infância,  este palavrão e muitos outros me feriam os ouvidos, sem que os visados mostrassem aborrecimento...
Atualmente, o calão tornou-se língua de referência, de tal modo que conheço miúdos e miúdas que, em cada três vocábulos utilizados, dois pertencem ao referido registo... Há até quem esgote o léxico numa única expressão: f...; c...; fp...; p...; m...                               
                                                                          em qualquer contexto. 

6.8.17

Servidão

Servidão.
Com Cristo ou com cidra, tudo o que se enxerga é combinação de interesses e de prazeres... Mas quem lucra esconde-se, sabendo que cedemos voluntariamente
Primeiro, a maçã; depois, o enjoo e a ressaca...
A música, apesar da variação, cresce ao som da vara que se afoga como se dela pudesse jorrar toda a água que nos falta... 
Mas não. Apenas um tempo de torpor.

5.8.17

A dupla realidade de Manuel Laranjeira

«Compor a realidade como uma obra de arte - também cansa às vezes. Principalmente a gente começa a aborrecer-se da realidade!» Manuel Laranjeira, Diário Íntimo, 4 de fevereiro de 1909

Conceber um diário - registo de atos e de pensamentos, por vezes, inconfessáveis - como obra de arte é um projeto paradoxal, pois o autor revela-se marcado por uma ideia de posteridade, à partida, gratuita.
Do que o autor vai registando, o leitor nunca sabe se se trata da realidade vivida ou de uma outra realidade, desejada.
De tanto repetir o enjoo da vida, de tanto se desculpar com um eu interior, tenebroso, de tanto desprezar os seus semelhantes, de tanto desconsiderar e amesquinhar as mulheres, mesmo a sua amante da época, Manuel Laranjeira parece querer elevar-se acima da escumalha que o cerca, sem, no entanto, encontrar quem o acompanhe nessa ideia, à exceção, temporária, de Miguel Unamuno...
E com tal comportamento, Manuel Laranjeira acaba por engrossar as fileiras do Decadentismo que, não podendo pôr fim à desditosa Pátria, se aniquila a si próprio, em nome do Desespero, a que a doença não seria alheia, ou de uma visão do mundo incorrigível.

Que a realidade possa cansar, entendo, mas que a Arte a tenha de refletir já me parece absurdo.

3.8.17

Agora

« He feels the time is surely now or never...more.» David Byrne, Listening Wind

Nem ontem, nem amanhã, o que fazemos agora é o que somos.
O que fazemos é pouco... ou nada.
Num instante, o vento deslumbra-nos...
E ficamos suspensos, tontos...
- Do quê? 
- Nunca saberemos...
Como o Poeta (Silva Carvalho) que, passados vinte anos,  concluiu que o melhor era escrever um romance - Palingenesia... por não poder «continuar por mais tempo nesta inexequível solidão.» Talvez desse modo encontrasse um leitor, um interlocutor...

2.8.17

No Centro Comercial Colombo, não se distraia...

Sala de aula, 2001-2002
Se passar pelo Centro Comercial Colombo, não se distraia!
Vá à Praça Central e dê uma olhadela ao "Mundo Fantástico de Paula Rego"... até 27 de  setembro...
Ali, predominam as relações entre a Vida, a Literatura e as Artes Plásticas... 

1.8.17

Se fôssemos realistas...

Se fôssemos realistas, saberíamos que a alegria é um luxo e que a tristeza é o estado natural do homem...
E não admira que a tristeza alastre, pois a prepotência é cada vez acutilante. A prepotência dos homens que não se importam de mentir, que não se importam de agredir, que não se importam de explorar, que não se importam de se atravessar no caminho, que não se importam de silenciar pela chantagem, pelo grito, simplesmente pela palavra sem direito a resposta... ou até pela omissão.
Se fôssemos realistas, não nos deixaríamos iludir pelos profetas da Desgraça nem pelos sonhadores irresponsáveis...

(Se fôssemos realistas, mudávamos mais vezes de lentes.)

249,1 mil milhões de dívida pública

Em junho, a dívida pública subiu para 249,1 mil milhões!
Será que podemos continuar a ignorar o estado das finanças públicas portuguesas?

Ou o melhor é ir de férias, pagando-as a crédito?
E já agora, qual é o montante da dívida privada?

É insignificante: a dívida das famílias e das empresas particulares, que, no seu conjunto, engordou mais alguns milhões no mês em questão e atingiu os 724,4 mil milhões de euros.

30.7.17

Os argumentos de Boaventura de Sousa Santos

Decidí entonces no volver a pronunciarme sobre la crisis venezolana. (26.05.2017)

¿Por qué lo hago hoy? Porque estoy alarmado con la parcialidad de la comunicación social europea, incluyendo la portuguesa, sobre la crisis de Venezuela, una distorsión que recorre todos los medios para demonizar  un  gobierno  legítimamente  electo,  atizar  el  incendio  social  y político  y legitimar  una  intervención  extranjera  de  consecuencias incalculables. Boaventura de Sousa Santos(26.07.2017) En defensa de Venezuela

Custa-me acreditar que a situação da Venezuela tenha apenas causas externas e sobretudo que o atual Presidente tenha capacidade para resolver o problema. 
A ideia de que internamente haverá condições para retomar o rumo chaviano sem recurso à força é absurda. Qualquer solução passa pelo abandono do poder pelo senhor Maduro e seus acólitos...
Quanto à comunicação social, Boaventura de Sousa Santos sabe bem que ela dança ao saber das conveniências de quem a financia...
Custa-me acreditar nos argumentos de Boaventura de Sousa Santos, ainda do tempo da Guerra Fria...

29.7.17

Rob e Alice, dois robôs livres

Investigadores do departamento de Inteligência Artificial do Facebook criaram um algoritmo próprio que permitiu a dois robôs, “Rob” e “Alice”, conversarem livremente, a fim de aprimorar as suas capacidades.
Contudo, os robôs desviaram-se da linguagem desenvolvida pelos especialistas, tendo iniciado uma conversa entre eles de forma “autónoma”, noticia o The Next Web.

Não é que me sinta posto em causa, pois já desconfiava que a autonomia de certos indivíduos humanos resultava de atos de desobediência, como a mitologia destaca destes tempos remotos.
O ser humano tal como imaginamos conhecê-lo, apesar de poder escolher o rumo, ao apostar no desenvolvimento tecnológico, escolheu o caminho da sua própria extinção...
Rob e Alice, a esta hora, já devem estar a pensar em multiplicarem-se...

Obras no Parque Eduardo VII


Em pleno Verão, obras encomendadas pela autarquia lisboeta. Quem ganha? Quem perde? Do ponto de vista da restauração, a resposta parece estar à vida. Ou será que não devemos confiar no que vemos?

Entretanto, os patos e os cisnes migraram. Para o Jardim Amália Rodrigues não terá sido, a não ser que se tenham metamorfoseado...

28.7.17

A caruma continua a arder

Hoje é sexta-feira. Leio o Diário de Manuel Laranjeira.
Duas figuras emergem, a Augusta e o Miguel Unamuno - a tragédia de uma entrega sem sentido. Tudo querer sentir, tudo querer compreender e não haver esperança... e não aceitar. Ao contrário do Autor, que vê na morte a solução, que só será problema para os vivos:

«Morrer não custa. O que é trágico, o que é horrível, é ver secarem-se as raízes que nos prendem à terra. Não são os outros que morrem: é uma porção de nós mesmos.»
         Carta a Miguel Unamuno, datada de 24 de Agosto, 1908.

Hoje é sexta-feira. A caruma continua a arder...  a chuva lá longe, na Alemanha.

26.7.17

Por respeito à época

Agora me dou conta que, nesta altura do ano, será de mau gosto seguir um blogue que se apresenta como "caruma"...
Só que é um pouco tarde para mudar de nome. Por respeito à época e, sobretudo, à falta de planeamento florestal, vou reduzir a atividade até que a chuva cumpra o seu destino...

25.7.17

Coisas do céu

O Homem deve ter 73 anos. Nasceu no concelho de  Mafra e revela ódio profundo por certas figuras que cresceram e se impuseram por lá - em particular, um padre vermelho, um sinistro dos santos e um famoso oleiro, informador da PIDE...
Descrente dos homens, em particular dos militares de abril e dos políticos, só lhe interessam a praia, o oceano, o cosmos e, consequentemente, as leis que regem este último, afirmando-se capaz de as ler em cada um de nós, a partir da respetiva hora de nascimento...
Quanto a mim, disse-me, de imediato, que o meu período mais produtivo é a manhã, algo que, no entanto, não devo confundir com o tempo, pois este só existe no calendário... ideia que eu quis partilhar, mas que ele me recusou, porque me falta passar pelo ritual de iniciação necessário à compreensão das "coisas do céu"...
E a conversa fortuita, ao balcão de um café, começou do seguinte modo: "O senhor é professor de Português, deveria ensinar estes jornalistas a falar..."
O problema é que temo que o encontro ainda não tenha terminado...

23.7.17

Não sei o que se passa

Não sei o que se passa,
não tenho nada a acrescentar.
Só me apetece recuar,
mas vivo num círculo.

Cada um de per si,
e eu sem mim.
Perguntaram-me "quem cuida de ti"?
(Estranha pergunta!)

Não sei porquê,
lembro-me agora do José Gomes Ferreira à porta do Tivoli,
uma nota de vinte escudos, presa no forro do casaco...
O Poeta desprendera-se do quotidiano,
alguém continuava a cuidar dele,
não fosse o guarda prendê-lo pelo motivo errado...
E o Zé desatava a subir a Avenida até que ela morresse no Monte Carlo...

Não sei o que se passa,
já estou a confundir o Militante com o Abelaira.

- O que é feito deles?
Saíram do círculo, e não regressaram...

22.7.17

Uma cidade provinciana



Lisboa lembra-me a aldeia, onde ricos e pobres se vão arrumando, alheios ao conjunto. 

Até o Palácio da Ajuda parece ter caído num descampado que, aos poucos, foi sendo ocupado ao gosto de migrantes de reduzidos haveres.


Nem a escola republicana os consegue juntar, apesar do esforço dos petizes...



21.7.17

ALTICE rima com ALDRABICE!


Deve ser verdade, o problema, no entanto, é que os aldrabões são muitos e chegaram muito antes do abutre...

Esta tarde, cruzei-me duas vezes com a manifestação da "PT" e fiquei impressionado com a quantidade de "trabalhadores".
Dúvida metódica: Será que não havia por ali alguns infiltrados? 




Como cliente, fiquei a pensar por que motivo o serviço prestado é tão demorado e manhoso... Mas compreendi porque é tão caro...

20.7.17

Pouco discreto

Lembro-me de uma cerca feita de pedra, arrancada sabe-se lá onde, embora  haja sempre quem saiba, uma cerca que cumpria zelosamente a sua função - impedir que o olhar dos vizinhos se atrevesse a identificar o que era guardado no interior do quintal...
Por um instante, sinto-me tal o puto traquina que, assim como quem não pensa nisso, se encavalitava no muro para avaliar se valia a pena correr riscos...
Também eu, por um instante, me vi, hoje, a saltar a cerca, tentando avaliar como decorrera o exame de Português, mas logo a vizinha, sem palavra dizer, me cerceou o ímpeto...
Esta memória, como bem se entende, não tem qualquer propósito, a não ser o de me interrogar se não me terei esquecido, em tempo devido, de explicar o que  é um valor, lembrado ainda daquele outro vizinho ainda jovem que um dia insistiu que a cobardia (dos alcaides medievos) era um valor, porque devidamente recompensado pelo usurpador...

19.7.17

Ser discreto

É difícil ser discreto nas palavras e nas ações, mas, quando a idade avança, uma boa dose de temperança pode ser muito útil...
Em vez de falar, o melhor é escrever, pois, assim, a pessoa ainda pode suspender a voz e o gesto. 
O melhor é cumprir a regra beneditina ORA et LABORA.

18.7.17

O candidato a novo inquisidor

«O alvará de 13 de março de 1526, do tempo de D, João III, recusando a entrada e determinando a expulsão dos ciganos que se encontrem  em território português, é o diploma legislativo mais antigo que se conhece em Portugal relativo à presença dos ciganos.» Eduardo Maia Costa (1995)

A etnia cigana, quer em Loures quer no resto do país, tem de interiorizar o manual do Estado de direito. E o Estado de direito não pode ter medo deles, independentemente das consequências”, disse também o candidato, acrescentando que os visados “vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado".

Se André Ventura ganhasse as eleições autárquicas em Loures, o melhor que os ciganos teriam a fazer era inscreverem-se no curso de Direito.
                      *Doutorado em Direito Público e co-autor de um livro com a "taróloga" Maya.

17.7.17

Parlatório

"O país perde com a sua saída"...
"A sua morte é uma grande perda..."

Oiço. Torno a ouvir.
Nem sequer se trata de uma emoção espontânea.
Uma emoção calculada. Um protesto fingido. 
Faz-se luto no calendário ( há quem o faça no consultório.)... até que a perda se torna ganho.
Vantagem sem exclamação. Capciosa. 
Aborreço-me. 

16.7.17

E se pegasse os bois pelos cornos...

Expressão perigosa nos dias que correm - pegar os bois pelos cornos. Ainda acabo por ser acusado de maltratar os animais.
Embora ribatejano, as touradas nunca me despertaram particular prazer... Quanto aos bois (e às vacas), ainda houve um tempo em que partilhámos o trabalho, solidariamente, se tal se pode afirmar...
Desse tempo, ficou-me, no entanto, a locução a que recorro para classificar o que poderia ser o meu comportamento em certas situações.
Hoje, acordei a pensar: provavelmente, se ao longo da vida tivesse sido mais explícito, tudo teria sido diferente, não no que me concerne, mas em relação a muito moscardo que anda à solta - cola-se à pele e ...
Em síntese, nunca peguei verdadeiramente os bois pelos cornos, e eles têm aproveitado esta fraqueza...
Ainda não é desta!

15.7.17

Remodelação ministerial fantasma

Após as eleições autárquicas, o primeiro-ministro procederá a uma remodelação nos ministérios da Defesa, da Agricultura e da Educação e, nesse momento, ficará esclarecido por que motivo uma secretária de estado, amiga de longa data, foi substituída...
António Costa já decidiu quem será o próximo ministro da educação, também ele amigo indispensável, e como não quer ser acusado de favorecimento, substituiu a amiga secretária de estado, a quem está, entretanto, reservado um papel ativo na Assembleia da República...
César que se cuide!
(...)
Entretanto, foram publicados os resultados de 1ª fase, com melhoria na disciplina de Português (639) e, que eu saiba,  ninguém se pronuncia sobre o efeito do conhecimento prévio de algumas questões...
Já nada me surpreende! 

14.7.17

Nas praças e nos livros

Fui a Santiago de Compostela.
A fachada da catedral está em obras. No interior, decorria um serviço litúrgico, com poucos fiéis... Visitei as capelas laterais, mas não abracei o santo, apenas vislumbrei o túmulo, a pensar na lenda de Padrón e na fortuna dos mitos (e das lendas), e se não seria melhor levá-los a sério... Entretanto, o fervor religioso parecia que corria nas praças cheias de padres, de freiras e de seminaristas, sem esquecer os leigos de múltiplas origens e diversas crenças.
Um dia mais tarde, fui a Pádron. E o que lá encontrei, foi o fervor do feirante, medieval e abarracado, para além da insistência de uma jovem que me obrigou a fotografá-la em equilíbrio precário, pois colocada no rebordo queria "aparecer" na foto com a mão assente no "padrón" e com vista para o fundo do poço... E conseguiu uma foto bem fálica!

Entretanto, aproveitei para ler o último livro de António Manuel Venda, 1968. Li-o num ápice, pois o humor que o percorre não só nos faz sorrir como nos deixa a pensar que muitos dos nossos comportamentos são irracionais e maldosos, e, apesar disso, ainda conseguimos tirar proveito nas nossas capelinhas
António Manuel Venda, nas pequenas "estórias" que vai tecendo, acaba por desfazer umas tantas lendas que proliferaram desde 1974 até hoje, colocando-se no centro de uma narrativa divergente e nada encomiástica...
De regresso, apercebo-me que circulam novas "estórias". Desta vez, de zelosos secretários de estado sacrificados a bem da nação, com o detalhe de haver quem não consiga compreender a sua substituição, vindo à praça fazer alarido... Já lá vai o tempo em que o secretário era um "túmulo"...

13.7.17

Talvez por amanhã ser sexta-feira

Talvez por amanhã ser sexta-feira, hoje, dia 13, o anestesista não faltou nem fez greve. A cirurgia decorreu bem e o paciente prepara-se para regressar a casa, vencida a odisseia a que se viu sujeito no SNS, que lá vai funcionando, apesar da evidente falta de recursos materiais e humanos...
Talvez por amanhã ser sexta-feira, oito novos secretários de estado tomarão posse ao final da tarde. Os maiores mantêm os cargos - o mexilhão é que paga!
(Entretanto, o vizinho portelense Eurico Brilhante Dias é o novo secretário de estado da internacionalização...)
Talvez por amanhã ser sexta-feira, hoje ficou a saber-se que o Porto é a cidade portuguesa candidata a sede da Agência Europeia do Medicamento...

12.7.17

O que nos move?

De regresso, hoje, não me vou queixar de nada!
Em Santiago de Compostela, os sinais eram distintos. Uns lutavam contra a privatização dos rios, da energia...  Outros caminhavam, entoando gritos que me lembram hordas de fanáticos...
A verdade é que eu, apesar do fervor religioso que domina o lugar, senti-me mais próximo dos primeiros, senti-me melhor nos Parques da Alameda e de São Domingos de Bonaval.
Espero, entretanto, que, amanhã, os anestesistas não façam greve... Contradição? 


11.7.17

Entrei no Centro Galego de Arte Contemporânea


Entrei no Centro Galego de Arte Contemporânea (projeto de Álvaro Siza Vieira) com o objetivo de ver a Exposición Luis Gordillo - Confessión xeral, e fui surpreendido pela mostra Lugar: continxencias de uso, de Patricia Esquivias, Luciana Lamothe e Sofía Táboas....








Por onde passo...




Ainda vou fotografando alguns figurões da Hagiografia, da Valentia e das Artes, em geral, colocados no meio das praças ou nas esquinas e, ultimamente, defronte das praias, como se estivessem de partida ou, simplesmente, a bronzear, muito embora não necessitem devido ao material de que foram construídos... Lá, no alto, esverdeados...
Por onde passo, há sempre um santo António (de Lisboa ou de Pádua, pouco importa!), seja como topónimo seja ícone religioso, de tal modo que já deixei de o assinalar - está incorporado no sistema viário e na rotina.
A verdade é que quando olho a estatuária com que me cruzo, ainda sinto alguma vontade de os conhecer melhor, mas para quê?  Do outro lado, há cada vez menos vontade...

10.7.17

O Povo

O Povo, em Muros
Num rebate de consciência, os Senhores lembram-se do povo - misógino, envelhecido, friorento, enrugado... de olhar fixo na linha do horizonte, deixando refletir a ânsia do retorno, quase sempre impossível...
E ainda há quem deixe flores do campo, porque um dos filhos terá voltado, pobre ou rico, muitas vezes desenraizado, pois o tempo já não valoriza a identidade.

Este vaise i aquel vaise,
e todos, todos se van.
Galicia, sin homes quedas
que te poidan traballar.
Tés, en cambio, orfos e orfas
e campos de soledad,
e pais que non teñen fillos
e fillos que non tén pais.
E tés corazós que sufren
longas ausencias mortás,
viudas de vivos e mortos
que ninguén consolará.

                                    Rosalía de Castro

9.7.17

Em busca de sentido

Santiago de Compostela, Sul
Mesmo quando as explicações nada acrescentam, o tempo passa, indiferente ao esforço vão...
Os olhos cansados perdem-se nas imagens, sem descanso.
(Lembro agora que o Alberto Afonso por aqui terá passado ao fazer o caminho do peregrino francês...)
Padrón

O belicismo 

Noia

8.7.17

Os inenarráveis professores de António Lobo Antunes

Santiago de Compostela, Parque Alameda
Não foi aqui me sentei a ler a revista Visão nº 1270, mas bem poderia ter sido. A Crónica de António Lobo Antunes merecia essa atenção: «Eu fiz o ensino secundário num estabelecimento chamado Liceu Camões que ainda hoje acho o mais pavoroso e sinistro local que frequentei na vida. Os professores eram inenarráveis.» in O Liceu Camões

Não sei se a memória recria positiva ou negativamente o passado. O que sei é que há um número significativo de antigos alunos que testemunham uma vida académica feliz, mas também há um sem número que cala o tempo que passou no Liceu Camões. Quanto a António Lobo Antunes, esse não perde oportunidade para zurzir a classe docente da época, para mostrar a influência do compadrio e do provincianismo (do Estado Novo) que matava a alma dos adolescentes portugueses.
Provavelmente, o psiquiatra António Lobo Antunes ainda não confessou ao escritor tudo o que de verdadeiramente se terá passado no Liceu Camões.
Por mim, ainda espero que volte a entrar no velho estabelecimento e que oiça o que os atuais alunos têm a dizer dos seus «inenarráveis professores».

7.7.17

O GPS é coisa que eu não entendo

Se há coisa que eu não entendo é o GPS - Sistema de Posicionamento Global.
Globalmente, funciona bem, mas quando se trata de resolver, entra facilmente em colapso. Por exemplo, hoje revelou-se incapaz de me fazer chegar à Avenida de San Lázaro, em Santiago de Compostela. Não reconhecia nem a Avenida nem o Hotel...
Esfalfado, lá me vi obrigado a consultar um taxista e depois um ancião que se revelou bastante conhecedor do lugar.
Daqui os saúdo a pensar no falhanço do SIRESP, pois me parece que esta nova tecnologia, apesar de todo o software, ainda não consegue suplantar a experiência humana...
Esta coisa das máquinas poderem determinar o futuro da humanidade perturba-me, até porque estou convencido de que muitas já estão programadas para decretar a falência ou a destruição de um país...
O problema é que anda por aí muito ser humano que não se importa de ser conduzido pelos novos androides.

6.7.17

O olhar

O olhar é uma via que leva tanto ao saber verdadeiro, a um nível informativo, como ao erro, tanto informativo como formulativo. Luís Filipe Barreto, Portugal Mensageiro do Mundo Renascentista, Pág.36, Quetzal editores

Apanhei o autocarro 783 com a ideia de aproveitar o tempo de viagem para avançar na leitura, mas rapidamente desisti. A necessidade de fixar o olhar dissuadiu-me, pois, com alguma frequência, surge uma neblina enfadonha. Limitei-me a olhar as ruas, as casas e os jardins que as ladeiam, apenas com o propósito de verificar se a memória correspondia ou se necessitava de a reformular... De facto, tudo se repetia até que a modorra tomou conta da situação...
Chegado ao Marquês de Pombal, reabri os olhos, pois a memória dizia-me que era necessário estar atento às passadeiras, à lentidão dos semáforos, sem esquecer as novas ciclovias... O olhar foi descodificando os avanços e recuos, ao mesmo tempo que se prendia nas famílias estrangeiras que, desorientadas, lá iam subindo e descendo a Avenida, pasmadas para o luxo das boutiques laterais...
Até que chegado ao nº 202, entrei e me sentei à espera, reiniciando finalmente a leitura que ensina que o olhar não é só fonte de saber, é também fonte de erro... o que me permite, agora, pensar naqueles jovens que fazem fé no olhar de Alberto Caeiro, como se ele fosse divino e que repetem, à exaustão, que ele é o poeta das sensações, e que acriticamente seguem o seu caminho, longe do pensamento...

5.7.17

Se o SIRES(P) é de Portugal, como é que pode ser privado?

SIRESP: Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal

Se o SIRES(P) é de Portugal, como é que pode ser privado?
O problema tem origem em mais uma parceria público privada (PPV). Os bancos financiam, a fundo perdido, o Governo delega a sua responsabilidade em troca da colocação de uns tantos apóstolos, e os privados (os mesmos apóstolos) enchem os bolsos enquanto o negócio não se afunda... Quanto ao contribuinte, esse sofre as consequências da negociata, como se tem verificado...
Se o sistema é integrado, as redes de emergência e segurança que o constituem devem estar devidamente conectadas... sem estar à espera que, por milagre, numa situação de crise, surja um ator capaz de resolver as falhas das múltiplas redes, habituadas a viver sozinhas para proteger os respetivos interesses...
Por mim, este SIRES de que se fala não é de Portugal, a não ser pelo facto de não se diferenciar das restantes PPVs... Portugal é o país das PPVs porque continua a haver quem queira aproveitar-se da saloiice nacional.
A verdade é que a própria Assembleia da República não passa de uma PPV!

4.7.17

O professor e comentador Medina Carreira

Faleceu ontem.
Durante anos, comentou o estado da nação, revelando um país que vivia acima das suas possibilidades e, sobretudo, zurzindo a classe política (e seus apaniguados) que, para além de incompetente, era claramente corrupta.
Fê-lo com recurso a um método, por vezes, anacrónico e enfadonho, mas porfiou sempre, alertando para o peso da dívida e seus efeitos a médio e a longo prazo no tecido social...
Hoje, a hipocrisia assentou arraiais e o homem que, ontem, era objeto de chacota e de desprezo virou santo.

3.7.17

Se nada disser


Se nada disser é porque estou a desfiar as contas de um rosário que não é meu. É lenta a desfiadura, pois é necessário voltar atrás e verificar a sintaxe, que anda pelas ruas da amargura... 
Se não fosse a música, pensaria que as oliveiras não se sentem bem com o cheiro magrebino que se eleva do Tejo... 
Se nada disser é porque não consigo entender como é que um furgão terá entrado no perímetro militar de Tancos e terá esvaziado os paióis...
Se nada disser é porque não quero pronunciar-me sobre os fanicos dos políticos que não compreendem as razões dos incêndios, dos desfalques, dos assaltos, da falta de coordenação...

1.7.17

A imagem que elimina o tempo

Revolvemos gavetas e baús, à procura de brinquedos e de fotografias.
Procuramos, entre milhares de fotos, no álbum ou na pasta digitalizada, a imagem que, repentinamente veio à memória...
           elimina o tempo... e sobretudo, faz do lar um espaço seguro, um espaço singular onde ninguém mais pode penetrar... E este ninguém, se insistir em bater à porta, arrisca-se a ser visto como intruso no interior da própria casa...
Este tipo de fobia pode ser ainda mais incontrolável do que aquela que explode quando as ruas e as praças da cidade se enchem de estranhos de todos os tipos, porque nas ruas e praças todos somos outros, inexplicáveis e ameaçadores...
Descontrolados, corremos para casa e fechamo-nos... nos computadores, nos álbuns.
Corremos as cortinas. Confortáveis, voltamos a revolver as gavetas à procura de imagens, enquanto o outro se dilui... 

30.6.17

Se eu fosse coelho...

Se eu fosse coelho queria lá saber do eucalipto... O mato é o que mais arde em Portugal! Este é que protege o coelho, este é que assegura a reprodução dos láparos...
Um pouco mais de inteligência e perceberíamos que o saber do coelho é naturalmente distinto do saber humano...
Com o coelho não vale a pena entrar em polémica. O único ser que sabe captar-lhe a atenção é a cobra, e esta não necessita de palavras, pois hipnotiza-o com a maior das facilidades...
Em conclusão, o que é necessário é proteger o mato, porque nele tanto habita o coelho como a cobra...

29.6.17

Bem tento compreender...

«O medo do desvio é uma espécie extremamente condensada de ansiedade. (...) A tarefa é menos simples no caso do medo pós-moderno da insuficiência. Em parte, porque o próprio mundo em que opera é - ao contrário do mundo moderno "clássico" - fragmentário, e porque o tempo pós-moderno, em perfeita oposição ao tempo moderno linear e contínuo, é "achatado" e episódico. Num mundo e num tempo assim, as categorias referem-se mais a "ares de família" do que a "núcleos duros" ou sequer a "denominadores comuns".»
                                      Zygmunt Bauman, A Vida Fragmentada

Bem tento compreender, mas como se o tempo em que vivo é muito diferente do tempo em que me formei...
Desse tempo, em que me era exigida coerência, coesão, caráter, autenticidade, verdade, compreensão, pouco sobra, a não ser uma co-existência forçada, episódica...
A narrativa contínua e articulada foi substituída por quadros ou, como muitos dizem, por "cenas" - esta cena, aquela cena, a minha cena, a tua cena, a cena dele, a cena dela... 
Cenas que se esgotam em si - pequenos e grandes dramas efémeros, chatos, mas que se comprometem é só no momento que a memória apaga num instante...
É esta desvalorização do que fui que me move a tentar compreender, pois as ferramentas  do tempo pós-moderno exigem outro tipo de "inteligência", menos racional e mais insuficiente, de tal modo que já não sei avaliar, pois o conteúdo deixou de interessar e o objetivo, de tão imediato, é tão líquido que não o consigo apreender.

28.6.17

'Diferença de opinião' ministerial

Desacordo. A resposta é válida. A resposta não é válida.
Não sei se a pergunta foi bem formulada, custa-me, no entanto, que um ministro possa afirmar que se trata de «diferença de opinião».
Tempos houve em que a "opinião" não bastava para validar uma resposta.
A eterna questão da ambiguidade!

Bem sei que os tempos são outros! E parecem sofrer de flatulência...
(...)
Entretanto, e já decorreu uma semana, o Ministério da Educação decidiu não anular a prova de exame de Português (639)...
Espero que a decisão não resulte de uma mera opinião.

27.6.17

Uma questão de inteligência...

"Vejo o meu pai, no limite da minha infância, dobrar a porta do pátio, com um baú de folha na mão.(...) Minha mãe dizia-me adeus de dentro da charrete e cada vez de mais longe
Vergílio Ferreira - Fotobiografia, organização de Helder Godinho e Serafim Ferreira, Lisboa, Bertrand, 1993, p. 118.

Há quem interprete a partida assinalada no excerto como indicador da morte dos pais do autor. E há quem desvalorize tal interpretação, rotulando a falha como uma imprecisão...
Desta vez, compreendo o desplante, pois se até Passos Coelho se precipitou ao anunciar o suicídio de familiares das vítimas do incêndio do Pedrogão Grande, confiando mais no rumor do que na inteligência...
Os ventos continuam a não soprar de feição!
                (Para que a imprecisão não se agrave, os sublinhados são meus...)

26.6.17

Os ventos oblíquos e os pirómanos

Estou tentado a pensar que o vento é o culpado do que aconteceu em Pedrógão Grande e zonas limítrofes.
De qualquer modo, já, na narração da odisseia lusitana, os ventos faziam enormes estragos, obrigando Camões a estudá-los com alguma minúcia. Comandados por Éolo, o deus dos ventos, Bóreas, Noto, Euro e Zéfiro moviam-se tomando a defesa do partido muçulmano no conflito com o partido cristão...
Portanto, o problema é antigo, parecendo que os ventos não são imparciais e, sobretudo, que se movem obedecendo a impulsos pirómanos...
Ora, o que se percebe é que andam à solta muitos pirómanos, uns ativos e outros passivos. Há quem defenda que os ativos devem ser encarcerados logo que o calor aperta. Compreendo a medida, embora os pirómanos passivos me preocupem mais, pois fartam-se de ganhar dinheiro, de desertificar o território, para mais tarde se apoderam dele ao preço da uva mijona...
Curiosamente, um ilustre pirómano, neste fim de semana, deitou a cabeça de fora e começou as soltar os ventos de um interminável ajuste de contas partidário, em que, paradoxalmente, muitos são culpados e beneficiados...

25.6.17

A culpa deve ser do vento

Moro a 200 metros da Igreja do Cristo Rei da Portela. Não a frequento, mas oiço os sinos, e, quando diante dela passo, dou conta da ação social e, também, do movimento nas capelas funerárias... Aos domingos e dias santos, apercebo-me do carro de exteriores da RTP, o que me anuncia a transmissão do ofício religioso urbi et orbi...
Digamos que esta Igreja não me hostiliza, apesar das minhas ideias sobre o poder anestesiante da religião, de qualquer religião...
Hoje, no entanto, estou cansado do karaoke de péssima qualidade que sopra de lá...
A culpa deve ser do vento! Só que nunca pensei que a Igreja do Cristo Rei da Portela pudesse ser tão plebeia...

24.6.17

É a lógica do must exit

Em silêncio, medito:

«Os deserdados serão condenados ao esquecimento, ao abandono, ao desespero puro e simples. É a lógica do must exit. Poor people must exit ( Os pobres têm de sair de cena). O ultimato da riqueza, da eficácia, risca-os do mapa. Justificadamente, uma vez que têm o mau gosto de escapar ao consenso geral.» Jean Baudrillard, America... 

É a lógica do capital! E quem não se adaptar, deve sair de cena!
Deve ser por isso que pensamos cada vez menos, que escrevemos cada vez pior, que deixámos de ouvir o outro, que vivemos da nossa razão...
E a lógica do capital deixou de ser uma questão global... Basta observar as guerras que alastram a propósito da gestão dos donativos, aqui e em toda a parte...

23.6.17

Só a Hora conta!

«O tempo já não é um rio, mas uma coleção de pântanos e de tanques de água.» Zygmunt Bauman, A Vida Fragmentada.

Somos, assim, ramos soltos, bastando-nos a nós próprios. (Nesta linha de pensamento o "nós" é excessivo, pois tudo flui singular, solitariamente.)
Entretanto, o tronco liquefez-se, deixando o Vagabundo do Momento, sem passado nem futuro, sem responsabilidade nem arrependimento, imoral e apolítico...
Só a Hora conta! 

22.6.17

Os "próximos dias" do ME

O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) remeteu para os “próximos dias” esclarecimentos sobre a possível fuga de informação relativo ao exame nacional de Português, e invoca o segredo de justiça para não avançar informações sobre o processo judicial.
http://lifestyle.sapo.pt/familia/noticias-familia/artigos/iave-remete-para-proximos-dias-esclarecimentos-sobre-exame-nacional-de-português

Quanto aos meus dias, vou ocupá-los a classificar 55 provas, à espera que o pós-moderno ministro da Educação continue a considerar que, nestas coisas, o tempo se mantém instável... o dele e o nosso. É tudo efémero e possível, até o compromisso... 

21.6.17

Pensar devagarinho

Para além da prova 639 aplicada, há mais duas no cofre. 
Face à informação que circula na imprensa e nas redes sociais, o Ministério da Educação já teve tempo de conferir o conteúdo de cada uma das provas e de emitir uma nota que esclareça a situação.
Mas não! Está à espera do resultado da investigação externa. 
Quanto ao mujimbo, ele continua a dar a volta ao país...
Eu, por mim, vou "trancando", a vermelho, os espaços deixados em branco pelos examinandos.
Só tenha pena de não poder "trancar" quem está a deixar prolongar a situação.

E se voltássemos a pensar

Este ano, os professores classificadores de Português foram convocados antes da realização da respetiva prova e, surpreendentemente, receberam as provas dos alunos um dia mais cedo, o que terá obrigado a um esforço logístico acrescido... Quando queremos, somos capazes!
Porquê? A resposta é simples: o levantamento das provas coincidia com a data da greve de professores - hoje, 21 de junho de 2017.
(...)

De nos deixarmos ir e viver pela Terra
E levar ao colo pelas Estações contentes
E deixar que o vento cante para adormecermos,
E não termos sonhos no nosso sono.

Versos de Alberto Caeiro, o Poeta que pensava, mas que dizia que não, apenas imitava a Natureza.  Basta ouvir os camponeses da Beira Interior para saber que a Terra nem sempre é a Casa que nos protege, por mais que o pretendamos... e que o canto do Vento pode ser mortífero...

(...) 

Voltei a vigiar uma prova de Filosofia e fiquei estarrecido - ou já não há filósofos ou estes deixaram de pensar ou, então, o vento suão varreu-os...

20.6.17

Por mais que arda

Por mais que arda, sinto que há quem se esteja marimbando... Há um claro desrespeito pela dor.
No Parlamento, continuam as querelas que impedem a reformulação da política florestal e de combate aos incêndios.
No Governo, temos três ou quatro ministros com visões sectoriais.
Ontem, um ministro mostrou-se aborrecido com a jornalista que lhe fazia perguntas sobre a questão global - ele fora convidado para responder sobre o seu pelouro...
Um antigo primeiro-ministro nada tem a dizer, pois a culpa é anterior e posterior à sua ação governativa.
Os sindicatos da área da educação continuam a sua luta, alheios ao problema nacional.
Por mais que arda...

19.6.17

Vivemos da imagem

«O mistério (e o Outro é um mistério) é um enigma excitante, mas tendemos a cansar-nos desta excitação. " E assim criamos para nós próprios uma imagem. Trata-se de um ato de desamor, da traição." Criar uma imagem do Outro leva à substituição da imagem ao Outro: o Outro torna-se doravante fixo - em termos tranquilizadores e reconfortantes. Já nada de excitante existe em ligação com ele...» Zygmunt Bauman, in A Vida Fragmentada, cita Max Frisch, Sketchbook 1946-1949.

Nas imagens não nos narcisamos apenas. Também as criamos para nos desresponsabilizarmos  do Outro. Para objetivizar o Outro.
E são milhões as imagens!
É como se tivéssemos desistido do futuro!

18.6.17

Quando algo corre mal

Quando algo corre mal, há sempre um coro a pedir a demissão do ministro da tutela. É pena!
Melhor seria que fossem apuradas responsabilidades  e punidos todos os que, de algum modo, tivessem contribuído para o desastre.
Se este princípio fosse aplicado, Portugal seria um país bem mais rico e, sobretudo, soberano.

O incêndio do Pedrogão Grande

Acordo. O quantificador esmaga. Já são 62 os falecidos no incêndio do Pedrogão Grande..., mas o território é muito mais vasto, e as pessoas continuam ao abandono...
O Presidente diz que não era possível fazer mais. Sim, no momento, não seria possível, mas antes pouco ou nada foi feito... E esse é o nosso problema.

Neste caso, já que nada posso fazer pelas vítimas, o meu privilégio é censurar os responsáveis...isto é,  aqueles que apostaram na desertificaram do território, aqueles para quem o maior lucro é o único objetivo.

17.6.17

É meu privilégio

«É meu privilégio enquanto homem que, através da atividade escondida do meu ser, eu possa estabelecer uma barreira intransponível à objetificação.» Martin Buber

Não é fácil! E a culpa é do adjetivo e do quantificador...
Tudo o que me pedem é que eu avalie, classifique, caraterize, discrimine...
Tudo o que me pedem é que esconda a emoção.
Tudo o que me pedem é ação neutra, racional, serva da ética - essa lei universal que tudo regula: adjetiva e quantifica... e nem é preciso recorrer à estatística.

Dúvida sobre a data da inauguração do Liceu Camões


Ainda no inicio do século vinte este local era conhecido como o "Sítio da Bemposta", compreendido entre a antiga "CRUZ DO TABUADO", depois "LARGO DO MATADOURO" e desde 1915 por "PRAÇA JOSÉ FONTANA", e prolongava-se sensivelmente até ao "LARGO DE SANTA BARBARA" para nascente.
No ano de 1900 presidia ao Governo do Reino «JOÃO FRANCO» que resolveu mandar construir três Liceus em LISBOA. Começou por mandar concluir o Liceu na cerca do "CONVENTO DE JESUS" o «LICEU PASSOS MANUEL», cujas obras estavam paradas há mais de dez anos, e adquirir terrenos no sítio da ESTRELA e na "CRUZ DO TABUADO", para a construção de mais dois.
O primeiro a ser concluído foi o da "CRUZ DO TABUADO", e foi-lhe dado o nome de «LICEU CAMÕES». Foi o primeiro liceu moderno de LISBOA, promovido pelo ESTADO no âmbito de uma política de fomento do ensino, e projectado pelo Arquitecto «MIGUEL VENTURA TERRA»(1866-1919) e construído por "ANTÓNIO RIBEIRO".
Teve a sua inauguração no dia 8 de Novembro de 1909.


- De verdade, quando é que o Liceu Camões foi inaugurado? A 16 de Outubro de 1909 ou a 8 de Novembro de 1909?

16.6.17

O mínimo passou a ser igual ao máximo

Afinal, os professores, no dia 21, podem fazer greve a tudo, desde que assegurem os serviços mínimos...
Isto é: receção das provas, distribuição das mesmas por sala, coadjuvância por disciplina, dois vigilantes por sala, suplentes quanto baste, secretariado a funcionar...
Neste cenário, não há qualquer problema: o ministério mantém a realização das provas e os sindicatos não necessitam de fazer qualquer braço de força... Ninguém perde a face!
Quanto aos professores, fazem como o Pero Marques, carregam às costas a Inês para que ela possa divertir-se com o falso ermitão...
Os portugueses devem estar orgulhosos, como diria o Centeno...

15.6.17

Como se avizinha mais uma greve dos professores

Como se avizinha uma greve dos professores aos exames do dia 21 de Junho, deixo aqui meia dúzia de linhas sobre o sucesso da recente greve dos médicos.
Por aquilo que sei, milhares de doentes viram as consultas e as cirurgias adiadas. Pela experiência cá de casa, os pacientes, que, entretanto, não morreram, continuam à espera... Isto de morrer é, hoje, coisa de somenos!
No fundo, isto é, como nas guerras, as vítimas são esquecidas, enquanto os vencedores são efusivamente saudados. Ora, no caso da greve dos médicos, ainda não consegui vislumbrar quais foram as reivindicações que foram atendidas...
Sem querer extrapolar, creio que a greve dos professores insere-se na mesma lógica. Dar aos alunos mais um dia para estudar, enervar as famílias... e dizer à Nação que os sindicatos continuam vivos, capazes de mobilizar a classe, fazendo exigências, à partida, impossíveis de satisfazer, como essa da reforma aos 36 anos de serviço, sem penalização...
(Quem assim pensa, iniciou funções no ensino público, no dia 2 de janeiro de 1975... É só fazer as contas!)

Bom é que saibam...


«...e se queres recolher vontades, Blimunda, vai à procissão do Corpo de Deus, em tão numerosa multidão não hão de ser poucas as que se retirem, porque as procissões, bom é que saibam, são ocasiões em que as almas e os corpos se debilitam, a ponto de não serem capazes, sequer, de segurar as vontades, já o mesmo não sucede nas touradas, e também nos autos-de-fé, há neles e nelas um furor que torna mais fechadas as nuvens fechadas que as vontades são, mais fechadas e mais negras, é como na guerra, treva geral no interior dos homens.»
                            José Saramago, Memorial do Convento 

Anda por aí muito estudante que nunca viu uma procissão, e que, no caso de ter lido o impiedoso, terá ficado como uma representação deformada do espírito que anima as procissões dos dias que correm...
Portanto, ainda está a tempo de se deslocar à Baixa de modo a inteirar-se do cerimonial...
Há que pôr um pouco de ordem no caos para que vamos resvalando!

14.6.17

Luiz Pacheco entrevistado em 2004


Luiz José Gomes Machado Guerreiro Pacheco, 1925-2008.
(Entrevista ao Independente / 5 Nov. 2004)
Com quase 80 anos, a viver num quarto de um lar. 
Tem 8 filhos e 15 netos, que não conhece na totalidade. Está no lar desde 2001. Recusa ser operado à vista, por medo. Já não lê… Só vê sombras… Incontinente. O trajeto é só entre o quarto e a sala do lar… Vive de um subsídio de 120 contos, que teve medo de perder com “aquela gaja horrorosa, a Manuel Ferreira Leite”. Fica todo no lar. O subsídio terá tido a intermediação do Alçada Baptista…
Quis ser ferreiro, quis ser professor. Quis ir para a marinha mercante com o Cardoso Pires, mas nunca aprendeu a nadar. O máximo que teve foi quatro alunos em explicações.
Na Academia de Ciências foi uma desilusão - não havia convívio nenhum: éramos 10 rapazes e 100 ou 200 raparigas…
O grupo inicial de que fez parte: José-Augusto (França?), José Cardoso Pires, o Salazar Sampaio. Fizeram um jornal no Liceu (Camões) – o Pinguim, que teve três ou quatro números…
Considera que a sua actividade como editor foi mais relevante do que a de escritor…
Estórias: a da relação com uma menor de 14 anos, em casa de seus pais. Foi obrigado a casar. Ele tinha 17/18 anos… terá sido abusado sexualmente na infância; a história da ida às putas na Mouraria com um colega do Camões – eram ambos virgens: a prostituta comia uma maçã enquanto ia fazendo o serviço…
Quanto à pedofilia, não vê as crianças como inocentes, sobretudo as raparigas de 13 anos…
Desmente a sua relação homossexual com Mário Cesariny. Diz que isso é um mito, que não fez parte da lista dele.
Considera que em “O Libertino passeia por Braga” tudo é real – escrito em 1961, mas só publicado em 70…
Elogia o Salazar, o Cavaco, “isso é que eram bons primeiros-ministros, não era esta cambada- ” Santana Lopes, Paulo Portas. 
Foi salazarista, comunista… libertino... anarquista(?)

Rapidinhas

Agustina Bessa-Luís - Uma escritora a sério.

Lobo Antunes - Não leio há muito tempo.

Cardoso Pires - Um grande amigo.

Fernando Namora - Um aldrabão muito grande.

Natália Correia - Uma escritora um bocado falsa.

José Saramago - Um escritor de grande qualidade.

Sophia de Mello Breyner - Nunca li nada dela.

Herberto Hélder - Pensava que era melhor do que realmente era.

Mário Cesariny - Um artista que não ficará para a História.

13.6.17

Fernando Pessoa, nós e a Europa

«O que é preciso ter é, além de cultura, uma noção de meio internacional, de não ter a alma (ainda que obscuramente) limitada pela nacionalidade. Cultura não basta. É preciso ter a alma na Europa.
                                Fernando Pessoa (1912-1916)


Em rota de afastamento da Renascença Portuguesa, Fernando Pessoa indica o caminho, pois o Império já não tinha meios para se manter e ele sabia-o bem pois crescera no seio do Império britânico.
Um século depois, o Império desfez-se e o que falta cumprir de Portugal, apesar das vozes que o prolongam na "lingua portuguesa", só pode acontecer à escala global e, em particular, no interior da Europa...
E para isso, não basta migrar, é necessário que a alma se nutra dos valores universais, começando por participar ativamente na cultura europeia...
O que me aflige é que não vejo qualquer esforço dos responsáveis pela educação e pelo ensino para que tal aconteça... 
Continuamos longe da Europa e do Mundo. Por exemplo, quem é que conhece Juan Goytisolo, escritor espanhol falecido recentemente?