31.1.11

Moinhos da Pena…

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P1010024 Apeteceu-me ficar mó agora flor.
Nem chuva nem brisa apenas rumor… 
PENA ou penha tanto faz!
Só o degrau me satisfaz…

Se passar…

30.1.11

Canalhocracia em evidência...

Li algures que, na época da Regeneração (1851-1865), o poder foi de tal modo disputado e concertado que a riqueza nacional caiu nas mãos da canalha que governava. De facto, nos dias que correm tudo parece correr do mesmo modo: Passos não tem pressa; Cavaco detesta a bomba atómica; Sócrates afasta, como pode, o FMI. Porque será?
Porque a entrada do FMI em Portugal acabaria por destapar o saque a que a canalha submeteu o país e a Europa, em nome da democracia.

29.1.11

Pouca evidência…

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Uma encenação à beira d’água. Com ou sem mágoa? No horizonte da ponte, não há capitão nem caravela… Submersos os peixes, invisíveis as gaivotas, o canavial descobre a árvore acabada de compor enquanto o encenador se desloca como se a personagem tivesse abandonado o palco… Sobra o artefacto que suporta a câmara possível e a cor térrea…

27.1.11

Conversa (in)acabada…

Quando os tambores rufavam e a ditadura democrática se apoderava das sobras do Império, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro conversavam sobre a asfixia doméstica e nacional, procurando fora e dentro da pátria uma alma nova, cientes de que só o imaginário os poderia libertar da pequenez. E é nessa encenação criadora que ambos se concentram, sacrificando a vida ao IDEAL estético.

A conversa transformou o quotidiano e o medíocre em matéria de arte, invertendo o processo épico que nos fizera subir ao Olimpo  e acreditar pateticamente numa grandeza ícara…

Não surpreende que a derrocada trazida por Abril tenha criado as condições para que João Botelho ousasse, em finais da década de 70, encenar orpheu. Coadjuvado por alguns dos filhos de Maio de 68, João Botelho procedeu a um notável trabalho de reconstituição da rara excelência criativa que poderia esconder a desgraça que desabara sobre a orgulhosa pátria e sobre os frágeis ramos que dela se libertavam.

Na ESCamões, os alunos puderam ver hoje, com apresentação de João Botelho e de Fernando Cabral Martins, CONVERSA ACABADA que, para além da tentação de emulação, os poderá  levar a repensar o seu próprio tempo…

De parabéns estão, assim, o núcleo de Cinema da Escola, o ABC Cineclube e os professores Cristina Duarte, Jorge Saraiva e José Esteves.

25.1.11

Meia evidência…

O 12º M (Curso Tecnológico de Desporto) também participou, no dia 24 de Janeiro, no MEDIA LAB do DN e fê-lo de forma responsável. A maior dificuldade, como já sabia, esteve no desempenho linguístico e comunicacional. Pena é que a simples opção por um curso tecnológico desvalorize o papel da leitura e da escrita. No entanto, a proposta do DN mostra que o caminho a seguir não está assim tão distante como por vezes parece. Basta uma diferente formação dos professores e, sobretudo, uma efectiva utilização das ferramentas disponibilizadas pelas Novas Tecnologias da Informação.

Media Lab_12ºM_24-01-2011 001

Ora o Ministério da Educação  devia  criar um novo modelo de formação de professores que combine, de raiz, as didácticas específicas com as TIC e, sobretudo, devia equipar as escolas com os meios necessários ao aperfeiçoamento das metodologias de ensino, em vez de gastar vastos recursos financeiros em pacotes de 60 horas, distribuídas por quatro anos, como acontece com a anunciada formação de professores classificadores ou  na formação QUIM no ensino da Língua Portuguesa.

24.1.11

Indício ou evidência?

Sem checklist, e à medida da experiência de cada um!

Media Lab DN - 11ºA eB

Na tragédia antiga, os indícios criavam cumplicidades com o espectador, dirigiam-lhe a imaginação e impediam-no de naufragar no pântano das emoções ou no calculismo dos argumentos. Sem eles, não havia experiência!

Hoje, nada deve ser deixado a cargo da experiência! Se não for possível guardá-la numa prateleira, o melhor é submetê-la ao filtro  da evidência (conjunto de itens que devem orientar o observador) com o fito de desmoralizar o “esperto”… E o melhor caminho é o da quantificação, pois a excelência impõe entre 2 e 4 evidências. E porque não entre 3 e 5 evidências?

De qualquer modo, prometo que, de futuro, só voltarei a falar de evidências, se algum distinto observador tiver aplicado uma checklist  de 7 itens a cada uma delas…

De acordo com o meu amigo Jorge Castanho, este novo linguajar não passa de uma forma de legitimar o poder daqueles que tudo fazem para “matar o pai”. E eu concordo e estou farto de dar o peito às balas de usurpadores incompetentes.

Em criminologia, creio que os investigadores ainda se contentam em descobrir os indícios, pois a experiência lhes diz que as evidências já condenaram muitos inocentes à forca ou à cadeira eléctrica.

Claro que este discorrer parece incoerente, mas a coerência não existe, conquista-se seguindo pistas (as antepassadas dos indícios!) em trilhos invisíveis a qualquer EVIDÊNCIA.

23.1.11

Cartazes…

Se a diminuição dos cartazes é um bom sinal, não deixa de ficar por fazer o balanço daqueles que foram atirados para o desemprego!

Se a ausência de cartazes nos poupa os olhos, não deixa de ficar por saber quantos oftalmologistas perderam clientes que já tinham como certos!

Na minha zona de voto só há um cartaz esquecido que não desperta a atenção de ninguém, a não ser a de um outro trocista que o aproveita para despejar a sua ira.

No tempo dos cartazes, aumentava o consumo de latas de tinta, de lápis, de marcadores e de navalhas. Havia felinos, sobrancelhas gigantes, bochechas ou, apenas, bigodes. Havia, por vezes, aliterações fixes, metáforas paradisíacas e, sobretudo, havia SOL, coisa que, hoje, talvez para castigo nosso, deu lugar a uma luz esbranquiçada bem próxima da cor da agonia…

E foi neste tom que lá entreguei à urna um voto que deixou de ser meu para seguir o seu caminho! 

21.1.11

Um pouco de cor, um fio de luz...

A sombra fria parece abater-se sobre a velha pátria exaurida e nada do que possa acontecer no Domingo parece poder alterar o rumo... Só a luz e a cor insistem em nos lembrar que, para além dos títeres, há sempre um futuro em aberto... Por isso não o desperdicemos...

20.1.11

7…

Se não tivéssemos comprado 2 submarinos, hoje, seríamos um povo feliz. O défice seria de 7%! Ora, como bem sabemos, o povo ama, como nenhum outro, a redondilha maior e o heptassílabo. Desde que os trovadores se “aportuguesaram” que o octossílabo e o decassílabo entraram  em decadência na língua do povo… Camões ainda tentou mudar o estilo sorna e labrego, substituindo-o por um estilo grandíloco, cheio de oitavas e de decassílabos heróicos, mas sem êxito. A decadência já assentara arraiais nas mentes lusíadas!

Os nossos parceiros europeus já compreenderam que obrigar-nos a baixar o défice dos 7% é o melhor caminho para acabar, de vez, com a raça lusitana! O 7 é a nossa porta de entrada e de saída (a nossa alma!) e sem ele, só nos resta morrer de inacção…

Entretanto, enquanto a hora derradeira não chega, ainda podemos ir votar no pentassílabo, apesar do risco de voltarmos ao decassílabo, e de cairmos definitivamente no abismo ao som do cavaquinho de pé quebrado…

18.1.11

A Sagrada Família…

Enquanto o Governo procede à destruição paulatina da escola pública, o Candidato incentiva alunos, professores e pais a revoltarem-se contra a redução dos subsídios ao ensino privado.

De momento, o Governo está empenhado em transferir as responsabilidades de financiamento para os fundos europeus e, sobretudo, em alterar a matriz curricular, eliminando, por exemplo, a Área de Projecto, e fazendo tábua da revisão curricular aprovada pela Assembleia da República.

Em síntese, a Sagrada Família prossegue o objectivo de entregar o Estado aos grupos de interesses que se foram constituindo desde 1974.

16.1.11

No mar que nos roubaste…

 

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Não há dinheiro para que as crianças do 1º e 2º anos possam praticar natação, mas o Candidato propõe que se crie um Ministério do Mar. Provavelmente, está mais preocupado com a rendibilização dos mil milhões de euros gastos na compra de 2 submarinos! E vale a pena não esquecer que um já se encontra em reparação no Alfeite.

15.1.11

A outra margem…

 

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Hoje, visitei PALHOTA, a aldeia avieira,
e não encontrei nenhum candidato!Apenas uma placa a assinalar que Alves Redol aqui residiu para melhor conhecer os pescadores avieiros.

 
     

14.1.11

O mujimbo…

“O mujimbo é uma arte de governo.” (Pepetela, Lueji)

Entre a verdade e a mentira vive o mujimbo (o boato). Em pleno relativismo cultural, só o mujimbo circula impune e impõe a sua lei.  (Um candidato sente-se abraçado pelo povo; um segundo fala em nome do povo; um terceiro diz-se acima do povo.)

A ninguém interessa o número exacto da dívida! A ninguém interessa a delimitação do conceito! E como não interessa a ninguém, o número torna-se intangível e o conceito desliza, sob a forma de noção, para uma suave indiferença que mata definitivamente a verdade e a mentira.

A velha dicotomia extingue-se iluminada pelo mujimbo. 

13.1.11

Se aposta em 2011…

Nuvem de tempestadeComputadorTelemóvelDentesExtra-terrestre
Engenharia de Software Teoria Matemática Avaliação de Risco
História – investigação Prevenção e reabilitação auditiva Manutenção da higiene oral
Análise estatística Analista de sistemas Meteorologia e ambiente
Biologia e ciências afins

Não pense na crise! Procure uma escola onde possa aprender uma das profissões acima enunciadas. Esta lista vem publicada  no i de hoje, 13 de Janeiro.

Creio, no entanto, que este diário se esqueceu  da política, porque o Diário de Notícias acaba de demonstrar que a melhor forma de “ganhar” dinheiro exige filiação numa organização política e posterior estágio num sindicato / ministério. Depois é só esperar pela nomeação para a GALP, EDP, REFER, CGD, Banco de Portugal, Portugal Telecom…

11.1.11

Indicadores…

Hoje, de manhã cedo, numa pastelaria da Praça Dona Estefânia, em Lisboa, um cliente dirige-se ao balcão e declara secamente à funcionária: Quero urinar!

Há dois dias, no Centro Comercial Vasco da Gama, no Parque das Nações, um suposto cliente de meia idade entra num provador e urina ali mesmo.

Felizmente que destes acontecimentos não corre notícia; no entanto, eles são bons indicadores da degradação dos nossos comportamentos…

E a propósito de indicadores, vale a pena considerar o modo como o Presidente da República comentou hoje os números apresentados pelo Governo. Considerou-os, apenas, um indicador…

Um notável indicador de baixa política!

10.1.11

Mudança…

Como já me pronunciei no Facebook, aproveito para confessar a minha opção de voto neste ano de 2011: Fernando Nobre. Trata-se de uma confissão pública de algo que, habitualmente, é secreto. Qualquer leitor atento de CARUMA saberá que ela, há muito, não se revê nos caminhos trilhados depois de 1974, tal como não se revia na política do Estado Novo.

Acredito que a vontade é a figura essencial da mudança e, no actual quadro de candidatos, apenas Fernando Nobre dá corpo à vontade de mudar. Apenas ele a grita, um pouco como Cristo no deserto, acreditando que é possível pôr fim aos centuriões que ocuparam o templo.

9.1.11

Mépris (1963) involuntário?

Em 1963, eu não sabia que Jean-Luc Godard realizava um filme que só, ontem, tive oportunidade de ver – um filme sobre o cinema ( os que o fazem, os que o produzem e os que o vêem). Nessa época, eu aprendia a desviar o olhar – o pecado morava em frente! E ainda hoje não me libertei completamente dessa educação que me ensinou a “baixar os olhos”, a  dissimular as emoções, a tolerar a hipocrisia.

Em 1963, os espectadores (que não eu nem os portugueses até 30 de Junho de 1975 – data da estreia de LE MÉPRIS, em Lisboa) podiam ver Brigitte Bardot inteiramente nua em cenários interiores e exteriores. E é precisamente essa diferença que agora me surpreende: mais do que a geografia é a cultura que nos atrasa; não a falta dela, mas uma mentalidade retrógrada, pecaminosa que nos impregna os ossos…

No filme, a dissolução da relação ( e do argumento) resulta de um gesto in (voluntário) do argumentista que atira BB para os braços do rico produtor americano, como se o corpo (a beleza ) mais não fosse do que uma mercadoria que, inevitavelmente seria sacrificada, pois os deuses não toleram os humanos desafios…

Embora noutro contexto, esta diferença de perspectiva na abordagem do corpo ou da língua já há dias me deixara perplexo e indeciso. Como explicar a actual rejeição da cultura francesa? Em muitos casos, essa rejeição é uma forma de desprezo de quem (in)voluntariamente tudo sacrifica em troca de algum reconhecimento e, sobretudo, de uns milhares de euros…

De qualquer modo, os deuses não dormem!

8.1.11

Castigare aetatem…

De vez em quando, acordo em Latim. Nunca fui romano, mas hábitos antigos vêm à tona sem serem convocados… Algo me diz que deveria dar mais atenção à antiga lição. No entanto, sufocado pelas novas redes, procuro mergulhar nessa onda comunicacional a que, paradoxalmente, falta  o miolo.

De qualquer modo, as redes estão-se nas tintas para a idade, misturam velhos e novos, criam a ilusão de que o tempo deixou de existir, forjando em vida uma imortalidade definitivamente perdida… Tal o pescador que lança a rede de malha fina num gesto derradeiro…

Assim, estou eu, castigado pela idade, a fazer de conta de que já estou reformado, pois de nada serve o trabalho acumulado nem os descontos efectuados. Para o caso, mais valia emendar a idade

7.1.11

Os MAIAS… em RAP?

http://recursoseb1.com/milp/?page_id=2

Hipótese de trabalho: elaborar sínteses sobre os principais temas, contemplando, designadamente as “vidas” das múltiplas personagens que dão forma ao romance… E nem sequer seríamos muito originais, como se pode confirmar:

6.1.11

Quem são os responsáveis?

Hoje, a situação de incumprimento já leva ao encerramento dos programas, como, por exemplo, o K’CIDADE.
O dinheiro existe mas desaparece antes de chegar aos trabalhadores. Quem é que fica com ele?
O jornalismo de investigação bem poderia seguir-lhe o rasto, porque, de verdade, os parasitas estão de tal modo colados ao filão que, no fim, não sobra um cêntimo…

4.1.11

O corpo da crise…

Por razões particulares, hoje percorri parte da A1. Trânsito fluido. Gasolina e portagens mais caras. Restauração das áreas de serviço às moscas… A crise já começa a ganhar corpo. Menos procura, menos consumo = mais desemprego!

Ao lado, os campos continuam desertos e as cidades fervilham de subsídio-dependentes… Os municípios, endividados, não cumprem os compromissos eleitorais, como está a acontecer com a socialista Câmara Municipal de Lisboa que, impunemente, deixa morrer o Programa K’CIDADE, não honrando os seus compromissos…

A crise ganha corpo porque os governantes, há muito, venderam a alma. E quem perde a alma deixa de saber o que é a HONRA!

3.1.11

K’CIDADE

 

Um Programa que está a deixar de cumprir os seus objectivos, porque alguns dos parceiros deixaram de disponibilizar as verbas necessárias ao pagamento do mísero salário de todos aqueles que, todos os dias, se sacrificam no terreno.

O Programa reúne um conjunto de organizações parceiras,diversificadas e complementares, empenhadas na partilha de recursos e soluções conjuntas para as questões da pobreza e da exclusão social.

Envolvidos no PROGRAMA: a Fundação Aga Khan, enquanto entidade promotora, a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, a Central Business, a Associação Criança e a Associação Comercial e Industrial do Concelho de Sintra.

A reforçar esta missão, uniram-se vontades de outros parceiros e apoios estratégicos, cujas competências e responsabilidades são essenciais ao desenvolvimento e sustentabilidade do Programa, como o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, a Fundação Calouste Gulbenkian,o Patriarcado de Lisboa,  a Iniciativa Comunitária EQUAL, a Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara Municipal de Sintra e a Hewlett Packard.

Se considerarmos os parceiros envolvidos, a situação de atraso no pagamento das remunerações é verdadeiramente escandalosa!

1.1.11

Esquecidos…

De que a nossa vocação é a água, continuamos a “meter água” na Europa… Indiferentes à luz e à sombra, continuamos a beber-lhes o champanhe… Tudo porque um grupo pequeníssimo de portugueses tem na Europa o seu maná…

Assim mesmo, 2011

Portimão2010 059

Desfocado, como convém ao tempo que se anuncia. De repente, parece que regresso ao século XIX!