29.9.17

É isso!

De um lado, os sentidos, as sensações, as emoções, os sentimentos - o coração. Do outro, as imagens, as representações, as combinações - a razão...
No meio, o distanciamento, a rutura, o jogo. Como resultado, essa coisa linda que é a obra, o poema, o quadro, a estátua, a sinfonia...
Se fica acima, se fica abaixo, pouco interessa porque, afinal, a terra é um corpo no firmamento e nós, perdidos, apenas, podemos jogar no balanço da deriva para evitar a depressão e  a solidão a que nos condenámos ao querermos matar a transcendência....
Para trás, vão ficando Comte, Marx, Darwin, Nietzche, Freud, Marcuse, Lacan, Foucault ... Eles cantavam sem razão na soberba dos dias.

Depois, há ou não há interesse, curiosidade, vontade de traçar um projeto, de se libertar de enleios, de se atirar para os braços de um eu coletivo que dê asas à loucura, à doença das nações... Nova transcendência que nos culpe, nos desculpe, nos redima....
Em Camões ou em Pessoa, lado a lado, caminham a identidade individual e a identidade coletiva, sempre a tentar adivinhar o futuro...