7.7.18

Trata-se de sobreviver

Neste interminável ficheiro de autores e respetivas obras, surge-me  o amigo e poeta Silva Carvalho. 
Desta vez, folheio o livro "Ao Acaso" (1986), suspendo o registo, e vou lendo algumas das 300 oitavas, pensando que o Poeta merecia melhor sorte, isto é, merece ser lido e discutido…
e de súbito fixo-me em três versos:

      Trata-se de sobreviver, não de sentir ida
      a memória por algum desejo ou desperdício.
      Sentir, sabe-o bem, é o maior e árduo vício.

Afinal, é isso: trata-se de sobreviver, liberto da (in)voluntária memória - duplo fardo, na ausência e na presença - e, sobretudo, de evitar o sentir, porque este prende, aliena, queima a energia que ainda resta...