30.6.18

Anja Flach em Portugal

Em Coimbra, 30.06.2018
Ontem, na sede do MAS, em Lisboa, Anja Flach procurou convencer o auditório (pequeno) de que a resistência curda é, no essencial, um movimento de libertação comunitário, em que os membros, em grande parte mulheres oprimidas, tentam construir uma alternativa à sociedade patriarcal, capitalista - predadora...
As ferramentas de que dispõem são escassas, mas, se preservado o território comunitário*, parece possível combater, através do trabalho manual e da educação, a resignação milenar, devolvendo alguma da felicidade há muito perdida… 
A utopia curda enraíza-se num tempo anterior ao império otomano e a todos os colonialismos de que foram e são vítimas, por isso tem poucos aliados, porque na verdade não existe um território curdo, mas, sim, ilhéus em que os valores se vão diferenciando de acordo com os contactos a que se veem obrigados… 
A utopia curda continua, no entanto, cercada por poderosos interesses que visam a apropriação e a partilha do Médio Oriente e que não olharão a meios para a esmagar, até para que não sirva de exemplo a outras comunidades esquecidas…
Em Portugal, o que se sabe sobre os povos curdos é infelizmente residual, até porque a diretriz curda não passa obrigatoriamente pela construção de um Estado, como, por exemplo, o turco… 
Nós, por aqui, amamos o Estado e estamos convencidos de que ele só pensa em nós…

* o que explica a luta armada em que as mulheres têm um papel importante, tal como aconteceu durante dois anos com Anja Flach...
Lisboa, MAS, 29.06.2018