14.10.18

Não basta ter sido uma criança mais ou menos afortunada...

Há dois ou três dias, perguntaram-me o que era uma varinha de condão e eu, que nunca fui muito dado ao mundo da fantasia, não consegui esconder a minha surpresa… Respondi que o melhor era o "menino" ir investigar…
Entretanto, lembrei-me que, na minha infância, me familiarizara com a varinha de vedor - o meu avô materno era um dos mágicos do lugar que conseguia com uma vara bifurcada de oliveira detetar a presença de água…
De qualquer modo, o tempo da varinha de vedor, creio, que já venceu, pois há, hoje, ferramentas de deteção mais fiáveis. O mesmo não terá acontecido com a varinha de condão ou com a varinha mágica. Basta entrar na secção de brinquedos de uma grande superfície comercial para a ver um pouco por todo o lado… 
Pensava eu que bastava ter sido uma criança mais ou menos afortunada para compreender enunciados do tipo:
«A inteligência lembra uma varinha de condão…»
«A mesma varinha, porém, por um uso intenso e persistente, acaba por esvaziar de realidade as coisas…» Jacinto do Prado Coelho, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa

Em suma, antes de compreender o paradoxo pessoano, lá terei que regressar a uma infância que não foi minha, e gastar algum tempo a explicar o contributo de Jacinto Prado Coelho para a interpretação da obra de Fernando Pessoa…
Mas como o tempo de atenção é extremamente curto, provavelmente não sairei da loja de brinquedos…