28.8.17

A figura de referência

Ao lado, tenho um caixote de lixo que é figura de referência para a Sammy. Sempre que a hora "gourmet" se aproxima, ela enfia a cabeça no caixote e ameaça devorar todo o tipo de plástico ou de papel que ele contenha... o combate é diário, mas ela não desiste, chegando ao ponto de pisar o teclado do portátil... Neste momento, perfila-se a meu lado, atacando todo o tipo de objetos que eu considere intocáveis...
Com esta gata, apuro diariamente a paciência para que dela possa dispor sempre que entro numa sala de aula, pois os pedagogos insistem que o professor só é figura de referência se for capaz de ouvir os jovens, apoiando-os em todas as suas ansiedades e dificuldades...
Há, todavia, um problema: o tempo necessário à gestão da relação e da instrução.
Com a Sammy não há problema, pois a aprendizagem não a preocupa. Pelo contrário, ela insiste na rotina desde que a hora "gourmet" seja respeitada.
Já lá vai o tempo em que, também, eu fui figura de referência, embora o que tinha a transmitir caísse facilmente no caixote do lixo... e depois há a memória ou a falta dela... De quem? De todos, menos da Sammy que está a sentir-se traída...