10.8.17

Ficar em silêncio

Sempre que as férias se aproximam, decido continuar a catalogação e o registo de publicações acumuladas. Não sei bem para quê, embora lá no íntimo acredite que, assim, estarei a facilitar a vida a quem quiser desfazer-se de tal acervo...
Por outro lado, desconfio que a tarefa tem uma outra motivação: folhear ou voltar a rememorar todo um conjunto de existências que, doutro modo, não me questionariam a não ser pela acumulação de pó e do horrendo bicho do papel - o lepisma saccharina...
Este procedimento tem, no entanto, um custo: em vez de avançar na tarefa, perco-me na leitura breve de cada livro, de cada revista..., fazendo esperar as leituras que tenho em curso e em projeto, como acontece com a Palingenesia,  com Sursis e com No Ano da Morte de Ricardo Reis - o primeiro para pagar a dívida ao (António) Silva Carvalho, o segundo para completar a leitura da trilogia de Jean-Paul Sartre (Les Chemins de la Liberté) e o terceiro, por obrigação profissional, pois a leitura que dele fiz já se escapuliu da minha fraca memória...
(Lembro-me agora que ainda hoje pensei que o Silva Carvalho bem poderia recuperar o 'António' para se diferenciar definitivamente do Armando... Espero que este apagamento da identidade não resulte de nenhum trauma com origem no velho 'estado novo')...
O que não se entenderá é por que motivo, tendo dado a esta postagem o título "Ficar em silêncio", não me calo. A razão é simples, é porque tenho aqui ao lado um livrinho intitulado Elogio do Silêncio, de Marc de Smedt, e não resisti a folheá-lo, tendo, de imediato, poisado os olhos na afirmação de que o "silence" surgiu na língua francesa (?) em 1190, descendendo do latim SILENTIUM, com a particularidade de "ser o único substantivo masculino que acaba em ence, en francês..."
Ora, digam lá se o melhor não seria eu ficar em silêncio, pelo menos, nas férias!