22.8.17

A modesta pirâmide alentejana

Ainda espreitei a ver se avistava o corpo do Ricardo Reis, mas, na versão saramaguiana, faltou-lhe a coragem - preferiu enterrar-se n'Os Prazeres, ao lado do criador, sob o olhar furibundo da avó louca ...
N'O Ano da Morte de Ricardo Reis, a fantasia, umas vezes tétrica outras hilária, destapa a ascensão dos fascismos na Europa e, em particular, o início da guerra civil espanhola com repercussão na terra dos lusitos que arrogam para si um vanguardismo, deveras, provinciano...
O importante é perceber que Ricardo Reis é, apenas, uma lente deformada que arrasta o leitor para caminhos empoeirados como aqueles que acabo de percorrer junto da barragem de Santa Clara... nas proximidades de Santa Clara-a-Velha, donde extraí a modesta pirâmide alentejana...
Da leitura e da viagem, já só sobra pó, mas, ao contrário dos apóstolos, não consigo sacudi-lo das minhas sandálias. E se o conseguisse, o que é que ganharia com isso?