Abexim me confesso

Nós todos, homens, que neste mundo vivemos opressos pelos vários desprezos dos felizes e pelas diversas insolências dos poderosos - que somos todos nós neste mundo, senão abexins?
Fernando Pessoa, Outubro 1935

31.12.17

Lá tão atrás!

De concreto, o bezerro...
o efémero,
o fogo-fátuo,
uma mesa no casino,
o ar mortiço,
o champanhe reles,
a inveja,
o ciúme,
a delação...
De concreto, o bezerro sobre uma mesa no casino,
o olhar mortiço de um vison...
Das Tábuas nem a sombra...
De concreto, nem o Deus da Vingança...
Fugiu do Sinai...
De concreto,  o bezerro é um artefacto
E eu caminho entre Moisés, Miguel Ângelo e Freud...
Lá tão atrás!