10.4.18

Eréndira, a princesa sorridente...

Finalmente, terminei a leitura d' "A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da sua Avó Desalmada", de Gabriel García Marquez.
Descobri Eréndira no espetáculo da Barraca,"Erêndira! Sim, Avó", de Rita Lello, onde se destacou a "desalmada avó", Maria do Céu Guerra.
A representação da Avó por Maria do Céu Guerra é tão "barroca" que difícil seria não lhe reconhecer o protagonismo nesta adaptação da novela ao teatro...
No entanto, o que me obrigou a ler a obra de García Marquez foi o antropónimo Eréndira já que a candura da jovem era por demais evidente e a sua resignação absurda - Sim, Avó! A exploração sexual a que era submetida por ordem da Avó roça o indizível...
Da leitura fica-me a ideia de que a América Latina vivia (vive) muito para além de qualquer racionalidade, a não ser a do dinheiro...
E o mais irónico é que Gabriel García Marquez atribuiu a esta infeliz escrava sexual o nome mexicano de Cândida Eréndira - a princesa sorridente, a que sorri, a que sonha...; manhã risonha.