Abexim me confesso

Nós todos, homens, que neste mundo vivemos opressos pelos vários desprezos dos felizes e pelas diversas insolências dos poderosos - que somos todos nós neste mundo, senão abexins?
Fernando Pessoa, Outubro 1935

24.4.18

Já só rosa!

Parece que foi ontem. Primeiro, a surpresa. Depois, o receio...
Tinham sido tantos anos de resignação! 
A opção foi sair à rua, ver o que estava a acontecer, sempre à distância não fosse o diabo tecê-las... até que o enxame humano assaltou o blindado à espera que suas excelências se rendessem e elas à espera que o povo se lhes mostrasse reconhecido...
Mas o povo só queria paz, saúde, habitação e que a poesia escorresse pelas ruas e pelas gargantas... a poesia estava na rua, não só da vieira da silva, mas em todas as ruas desabrochavam cravos, querendo pôr fim ao tempo que fora de escravos...
Ainda se fossem rosas, mas essas acabaram chegando, primeiro nas jarras, ainda com cravos na lapela, e depois já só rosa com cada vez mais espinhos...