26.10.11

Três minutos…

1 - O cientista político arregala os olhos e grita: - Deixem-se de considerandos sobre as causas da ruína da pátria porque, agora, é tempo de empobrecer! O nosso programa só tem um sentido – empobrecer!

No fundo a nova ciência política está a ressuscitar o mito salazarista de «quanto mais pobres mais ricos».

2 – Há decisões difíceis, mas que, por vezes, nos iluminam o dia. E isto só acontece quando cada decisor faz o seu trabalho de forma rigorosa e isenta; só acontece quando cada um consegue suspender os afectos (positivos ou negativos) e aplica rigorosamente os critérios previamente estabelecidos pelo grupo de trabalho.

3 – Razão ou preconceito, sombras há, no entanto, que se nos atravessam no caminho e nos deixam a pensar sobre a ambiguidade do gesto, da palavra, do movimento. Sobre a influência que podem ter na formação dos jovens…

25.10.11

Insensatez…

Acordar às 5 h e 15 minutos para preencher uma ficha de observação de uma turma é certamente prova de insensatez, sobretudo quando o patrão corta vencimento, subsídios de férias, de natal e congela progressões na carreira.

E a insensatez é tanto maior quanto esta obrigação resulta da necessidade de compensar o tempo gasto a apreciar as mil “evidências” que mostram que somos um país de vassalos excelentes, no caso, de professores… Ou talvez não?

Com tanta excelência, ainda não aprendi a distinguir os «objetos verdadeiros» dos «objetos falsos»! E, acima de tudo, neste tempo de respigar, ainda não aprendi que o que resta não chega a ser literatura!

Agora, sim, é hora de acordar!

23.10.11

A respigar…

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Devagar e a caminhar, avisto o que parece não fazer falta, mas sem ele os dias seriam todos iguais! Bolorentos!

22.10.11

Respigador

 

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Respigo as sobras;  algumas sabem-me a epifania.

- Que mais posso desejar?

- Talvez, ver-me livre das moscas! Mas elas já aprenderam a respigar há mais tempo…

20.10.11

Uma questão de unhas…

«…enfim, ainda ao pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra.» Padre António Vieira

Apesar de ter comentado que a Literatura se coloca frequentemente à margem das Finanças, é bom não esquecer que, por razão que nos continua a escapar, embora compreensível, um anónimo do séc. XVII nos deixou uma lista exaustiva dos modos de furtar.

Para quem pense que já não há nada a aprender, registo aqui os títulos de vários capítulos (no total, são 70) que compõem A ARTE DE FURTAR.

- Dos que furtam com unhas reais.

- Dos ladrões que furtam com unhas pacíficas.

- Dos ladrões que furtam com unhas militares.

- Dos que furtam com unhas tímidas.

- Dos que furtam com unhas sábias.

- Dos que furtam com unhas de fome.

- Dos que furtam com unhas amorosas.

- Dos que furtam com unhas de não sei como lhe chamam.

Amicorum omnia sunt communia.

18.10.11

Literatura e finanças…

A literatura pouco fala de finanças! Os trovadores defendiam que os jograis e os segréis passassem fome, sobretudo se estes lhes fizessem sombra. Fernão Lopes lá refere os cronistas de barriga cheia e de barriga vazia: a fidelidade ao suserano era bem diversa. Gil Vicente refere-se quase sempre aos roubos de fartar vilanagem que não poupavam ninguém. Todos roubavam e todos eram roubados. Os judeus seriam os únicos a rir, mas nem no inferno os queriam.Camões servia trovas aos amigos enquanto a tença valsava nos salões do paço…. e por aí fora. Eça sentia-se roubado pela choldra. Pessoa encharcava-se em aguardente à espera de melhores dias, confiado em Jesus Cristo que nada sabia de finanças! Jorge de Sena, eterno incompreendido,  mal ganhava para alimentar os filhos.Saramago insistia em abrir a burra ao proletariado na ânsia de um milagre igualitário…Dos escritores indignados, nada sei, embora suspeite que deliram por um qualquer subsídio que lhes permita ir escriturando…

No meu caso, que nada percebo de literatura e ainda menos de finanças, creio que o melhor para que o país não se dilua irremediavelmente será diminuir drasticamente a carga fiscal sobre toda a produção nacional, e aumentá-la em 100% para todos os produtos importados. Mas todos!

Sejamos mestres na arte de cotejar. Os nossos credores ficariam satisfeitíssimos connosco!

16.10.11

Vértices

Regresso e não me lembro do marco. Sei que, em tempos, a colocação de um marco era uma questão séria – uma questão de morte. A vida que restava era de eterna fuga. Hoje, a clareza do caminho não me devolve a incerteza do atalho de outrora. No entanto, ainda há quem estabeleça a fronteira; ainda há quem, se eu deslocasse o marco, me ceifasse a vida e a abandonasse no mato até que este me absorvesse definitivamente.

Na verdade, regressar é impossível; renascer é fogo-fátuo. Só me resta adaptar-me ao marco que ali enxergo, embora ainda tenha algum tempo para procurar os vértices e cavar um derradeiro fosso. Não sei se dentro se fora do quadrado…

Bem sei que poderia contar várias “estórias”: da estaca ao escalo, sem ignorar o moderno pilarete. Mas para quê? Em qualquer caso, teria de falar de interesses, negócios, lucros, monopólios, acionistas… e isso deixou de me interessar.

Vou seguir a curva e procurar novo vértice. E ainda me resta saber, se vou pela direita se pela esquerda. E talvez possa seguir em frente. Parece-me que se o fizer, acabarei por descobrir outro vértice. Inesperado? Sim, acabo de destruir a teoria do quadrado!

/MCG